IA no SUS: Propostas dos Candidatos nas Eleições de 2026
As ideias de Lula e Bolsonaro sobre inteligência artificial no SUS visam transformar o atendimento à saúde pública no Brasil.
25/09/2026, 06h38 Atualizado em 25/09/2026
O Sistema Único de Saúde (SUS) realiza impressionantes 2,8 bilhões de atendimentos anualmente — uma estatística que, por si só, já nos faz refletir sobre a importância da saúde pública no Brasil.
Nas eleições de 2026, a inteligência artificial se tornou um tópico recorrente nas propostas dos candidatos. O uso dessa tecnologia abrange várias áreas, desde a saúde até a segurança pública. Um ponto em comum que chamou atenção é a proposta de integrar a IA ao SUS, algo que reúne apoio tanto da direita quanto da esquerda.
Embora os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não tenham entrado em muitos detalhes, ambos mencionam a aplicação da tecnologia para triagem e auxílio em diagnósticos. Imagine, por exemplo, substituir a tradicional fila de espera por um sistema orientado por algoritmos. Nesse novo modelo, a prioridade de atendimento seria definida por uma IA, que levaria em conta fatores como a gravidade da condição do paciente e o risco de progressão da doença.
Flávio Bolsonaro, em seu programa, destaca que a inteligência artificial pode acelerar o agendamento de consultas e exames, além de atuar na prevenção. Ele menciona que "o sistema poderá identificar quem corre maior risco de adoecer e chamar essa pessoa para se cuidar a tempo", evitando que pacientes cheguem ao pronto-socorro em estado crítico.
Por outro lado, Lula expressa a intenção de aprimorar a regulação do acesso à atenção especializada, buscando garantir maior transparência nas filas. Ele propõe a criação de uma "fila única digital", organizada pelo risco clínico, utilizando a inteligência artificial para essa finalidade.
Renan Santos, do partido Missão, também aborda essa questão, sugerindo a substituição do atual modelo de filas por um sistema inspirado em uma plataforma de El Salvador, implementada pelo governo Bukele. "Temos um programa de integração entre saúde e tecnologia, inspirado parcialmente no que foi operacionalizado em El Salvador, por meio do DoctorSV", afirma ele, enfatizando a necessidade de integração entre laboratórios, farmácias e centros de imagem.
A adoção da inteligência artificial na gestão da saúde parece ser uma tendência inevitável, segundo Alexandre Chiavegatto Filho, professor de inteligência artificial na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Ele acredita que a área da saúde será a maior beneficiária dessa tecnologia. Chiavegatto, que coordena o Laboratório de Big Data e Análise Preditiva da USP, explica que a IA pode ser utilizada em todas as etapas do atendimento, desde o primeiro contato do paciente até a alta, especialmente em diagnóstico.
"Os fatores que levam uma pessoa a ter um problema grave de saúde ou, em casos extremos, a óbito, geralmente envolvem interações complexas. É aí que os algoritmos se destacam", comenta ele. Um dos aspectos que mais entusiasma Chiavegatto é a possibilidade de facilitar o acesso a especialistas em regiões onde esses profissionais são escassos. Seu laboratório está desenvolvendo algoritmos que aprendem com dados de pacientes brasileiros, com o objetivo de ajudar profissionais de saúde em áreas remotas.
No entanto, nem todos os especialistas compartilham do otimismo de Chiavegatto. Há vozes críticas que levantam preocupações sobre a implementação e os impactos da inteligência artificial na saúde.