IA e Vídeos Falsos: A Nova Ameaça à Democracia em 2026
Com a ascensão de vídeos gerados por IA, a desinformação se torna a maior ameaça às eleições, superando as fake news tradicionais.

Vídeos falsos gerados por inteligência artificial e informações de baixa qualidade estão ocupando o espaço das tradicionais fake news, tornando-se a principal ameaça digital às eleições e à democracia. Essa é a conclusão do Guia Internet, Democracia e Eleições, divulgado em 22 de setembro de 2026, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
Mudanças no Cenário da Desinformação
O Guia reflete sobre a mudança significativa que ocorreu desde 2018, ano da primeira edição, até este ciclo eleitoral. Naquela época, as redes sociais abertas, como o Facebook, dominavam a circulação de informações. Agora, plataformas mais restritas, como o WhatsApp, se tornaram o principal canal para a disseminação de conteúdos.Os especialistas do CGI.br notaram que a desinformação se espalhou de maneira mais ampla, circulando simultaneamente em diversas plataformas. "O vídeo se tornou o principal vetor de desinformação, quase sempre acompanhado de um texto curto que dá suporte à narrativa falsa", destaca o documento. Não é surpresa que a desinformação tenha sido classificada como um dos maiores riscos globais por instituições, como o Fórum Econômico Mundial, já em 2025.
O Papel da Internet nas Disputas Democráticas
Neste contexto, a internet assume um papel central como meio de informação, entretenimento e comunicação, tornando-se cada vez mais crucial nas disputas democráticas. Ferramentas mais recentes, como as inteligências artificiais generativas, já fizeram sua estreia no ciclo eleitoral de 2022. Contudo, espera-se que neste ano seu impacto seja ainda mais significativo, especialmente quando combinadas com ferramentas de difusão que direcionam conteúdos a perfis de usuários específicos, utilizando roteiros complexos que se assemelham à realidade.“Hoje, as plataformas digitais têm um papel central na maneira como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem", afirma Renata Mielli, coordenadora do CGI.br. Ela ressalta que essas são empresas privadas, guiadas por objetivos econômicos e não necessariamente pelo interesse público.
A Importância da Compreensão dos Mecanismos
"Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais efeitos isso gera no debate público é essencial para fortalecer a integridade da informação e, consequentemente, a democracia. Esclarecer esses mecanismos é um dos principais objetivos do guia”.Disponível no site do CGI.br, a publicação trata de temas como o funcionamento dos sistemas de recomendação de conteúdo, o impacto da IA generativa no cenário eleitoral e discute o funcionamento de ferramentas avançadas, como deepfakes e modelos de linguagem conversacional. Além de analisar as estruturas de divulgação e redes, o estudo também destaca o papel dos comunicadores dessas mídias, os influenciadores. Embora reconheça sua relevância, é importante ressaltar a diferença fundamental em relação ao jornalismo: eles não seguem um código de ética e não respondem por suas informações.