Hungria e Eslováquia suspenderam exportações de gasóleo à Ucrânia
A Hungria e a Eslováquia acusam Kiev de não ter conseguido restabelecer o oleoduto, mas a Comissão Europeia afirmou que a sua segurança energética não está em risco.

Na quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, a Hungria e a Eslováquia decidiram suspender as exportações de gasóleo para a Ucrânia, em meio ao aumento das tensões relacionadas ao fornecimento de petróleo. Os governos húngaro e eslovaco justificaram essa medida com a necessidade de assegurar seu abastecimento energético, especialmente após a interrupção das importações de petróleo russo via oleoduto Druzhba, que sofreu danos. A Hungria acusou a Ucrânia de chantagem política e interferência nos assuntos internos.
Essa situação ilustra os conflitos persistentes entre os governos da União Europeia, que continuam a importar petróleo russo através da Ucrânia, enquanto Kiev insiste na urgência de se desvincular completamente da energia russa.
As transferências de petróleo da Rússia para a Hungria e a Eslováquia foram interrompidas no dia 27 de janeiro, após um ataque aéreo russo que danificou o oleoduto em território ucraniano. O ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, afirmou que "as entregas de gasóleo à Ucrânia foram interrompidas e o fornecimento só será retomado quando os ucranianos voltarem a fornecer petróleo bruto à Hungria através do oleoduto Druzhba."
Tanto a Hungria quanto a Eslováquia garantem ter combustível suficiente em suas reservas, mas decidiram redirecionar o gasóleo para seus próprios mercados internos. Szijjártó também destacou que a Ucrânia possui tempo e recursos para consertar o gasoduto, sugerindo que a decisão de não fazê-lo é política. "A falta de reinício do transporte de petróleo para a Hungria é uma escolha política, uma escolha feita pelo presidente ucraniano", acrescentou.
Na Eslováquia, o primeiro-ministro Robert Fico anunciou que a refinaria estatal Slovnaft suspenderá as exportações de gasóleo para priorizar o abastecimento interno, liberando 250 mil toneladas de petróleo de suas reservas de emergência. "Slovnaft está a suspender a exportação de gasóleo para a Ucrânia e qualquer outra exportação. Tudo o que for processado na Eslováquia será destinado ao mercado local", afirmou Fico.
Além disso, Hungria e Eslováquia solicitaram à Comissão Europeia autorização para o transporte de petróleo russo através dos portos croatas, com destino à Hungria e à Croácia. No entanto, esse pedido foi negado pela Croácia, que alegou que tal transferência poderia violar as sanções americanas.
Na terça-feira, a Comissão Europeia garantiu que a segurança energética da Hungria e da Eslováquia não está em risco, ressaltando que ambos os países dispõem de reservas suficientes. Entretanto, a Ucrânia enfrenta uma grave crise energética, resultado dos danos significativos às suas infraestruturas provocados pelos ataques russos durante o inverno.
Atualizado há 5 horas
A Comissão Europeia convocou uma reunião extraordinária do seu Grupo de Coordenação do Petróleo para abordar o crescente diferendo entre a Hungria, a Eslováquia e a Ucrânia sobre o oleoduto de Druzhba. A Comissão anunciou que a reunião de emergência terá lugar na próxima quarta-feira, com a participação da Hungria, da Eslováquia e da Croácia. A Hungria solicitou à Comissão que facilitasse a transferência de petróleo russo por via marítima através do oleoduto croata do Adriático como rota alternativa, mas a Croácia já rejeitou o pedido. A Comissão afirmou que tanto a Hungria como a Eslováquia possuem reservas de petróleo suficientes e que a segurança do seu abastecimento não está em risco imediato. No entanto, manifestou a sua preocupação com a situação energética da Ucrânia em geral. A Hungria e a Eslováquia avisaram que poderão alargar as suas medidas ao fornecimento de eletricidade e gás se o gasoduto não for reparado. Kiev tem apelado repetidamente a ambos os países para que abandonem os combustíveis russos, mas Budapeste e Bratislava têm resistido, invocando o elevado custo da mudança para rotas de abastecimento alternativas.