Hungria Bloqueia Empréstimo de 90 Bilhões à Ucrânia por Gasoduto
O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro acusa a Ucrânia de sabotagem e afirma que o seu país irá bloquear a assistência financeira a Kiev até que o trânsporte do petróleo russo seja retomado. Em vésperas de eleições importantes, Budapeste intensifica a sua retórica anti-Ucrânia.
A Hungria decidiu bloquear um empréstimo de emergência de 90 bilhões de euros destinado à Ucrânia, acusando o país em guerra de "chantagem" devido a um oleoduto danificado crucial para o transporte de petróleo russo. Essa decisão aumenta as tensões entre Budapeste e Kiev, especialmente com as eleições gerais se aproximando em abril.
Péter Szijjártó, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, denunciou que a Ucrânia, Bruxelas e a oposição húngara estão colaborando para interferir nos fluxos de energia por razões políticas. "Estamos bloqueando o empréstimo de 90 bilhões de euros da UE à Ucrânia até que o trânsito de petróleo para a Hungria, através do oleoduto Druzhba, seja restabelecido", afirmou Szijjártó em uma postagem nas redes sociais na última sexta-feira. Ele acrescentou que a Ucrânia está a chantagear a Hungria ao suspender o trânsito de petróleo, buscando causar perturbações no abastecimento e elevar os preços dos combustíveis antes das eleições, Hungria e Eslováquia suspenderam exportações de gasóleo à... que ocorrerão no dia 12 de abril.
Três diplomatas informaram à Euronews que o representante húngaro levantou objeções durante uma reunião fechada dos embaixadores da UE na sexta-feira. Budapeste já havia conseguido uma isenção, junto com a Eslováquia e a República Checa, em uma cúpula realizada em dezembro, isentando esses países de contribuir financeiramente para o empréstimo respaldado pelo orçamento da UE.
A proposta legislativa bloqueada pela Hungria requer unanimidade para alterar as regras orçamentárias da UE, permitindo que a Ucrânia, um país não membro da união, contraia empréstimos. Outros dois regulamentos relacionados foram aprovados na sexta-feira sem dificuldades, pois apenas precisavam de uma maioria qualificada.
Os embaixadores planejam abordar o tema novamente assim que a objeção húngara for retirada, uma prática comum quando Budapeste busca negociar concessões de última hora. Este pacote de três partes já havia sido aprovado pelo Parlamento Europeu e aguardava a aprovação final dos Estados-membros, sendo incomum que uma legislação enfrente obstáculos nessa fase, especialmente após os líderes da UE terem concordado com ela.
As tensões entre a Hungria e a Ucrânia aumentaram consideravelmente, com Orbán intensificando sua retórica negativa sobre o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, insinuando que a adesão da Ucrânia à UE poderia resultar em um conflito maior. A situação se agrava com a polêmica em torno do oleoduto Druzhba, que remonta à época da União Soviética e sofreu danos significativos.