
Hezbollah Rejeita Cessar-Fogo entre Israel e Líbano: Entenda o Motivo
O Hezbollah critica o cessar-fogo proposto entre Israel e Líbano, destacando desconfiança popular e rejeição às condições impostas.
Smoke billows from the Nabatieh area in southern Lebanon following an Israeli strike on Thursday
O grupo armado libanês Hezbollah se manifestou de forma contundente contra os termos de um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos entre Israel e o Líbano. Em uma declaração enfática, o líder do grupo, Naim Qassem, classificou as negociações como 'fúteis' e 'humilhantes' para o Líbano, afirmando que foram rejeitadas de maneira categórica por 'amplos segmentos do povo libanês'. Essa posição surge após o anúncio de Israel e Líbano sobre a renovação de um cessar-fogo frágil, que inclui a criação de 'zonas de segurança piloto' dentro do território libanês, onde operativos do Hezbollah estariam proibidos de atuar.
Na quarta-feira, um comunicado conjunto do Departamento de Estado dos EUA indicou que o acordo dependia de uma 'cessação completa' do fogo por parte do Hezbollah. Contudo, na quinta-feira, o líder do Hezbollah - que não participou das discussões - afirmou que o 'suposto cessar-fogo', que seria interpretado como uma interrupção do fogo e a retirada de combatentes na fronteira sul com Israel, equivalia a uma rendição e atenderia aos objetivos israelenses.
Nas ruas dos subúrbios do sul de Beirute, uma fortaleza do Hezbollah, o clima era de desconfiança. Sami, um comerciante que tem seu negócio na região há 25 anos, desabafou: 'Não se pode ter um cessar-fogo de um lado só. Ou é de todos ou não há cessar-fogo'.
Ele também mencionou que houve ataques no Líbano na quinta-feira e questionou: 'Se isso é para ser uma trégua, o que isso significa. Isso é rendição. Não é um acordo de paz, é um acordo de rendição'.
Do outro lado da rua, Hadi, que comanda uma loja da família há 35 anos, expressou sua falta de esperança, algo que não era novo para ele. 'A minha geração, a geração do meu pai e a do meu avô não viram nada de esperança vinda dessas pessoas - não necessariamente do povo israelense, mas sim do governo israelense', afirmou.
O acordo entre Israel e Líbano, alcançado após a quarta rodada de conversas mediadas pelos EUA em Washington, depende da 'evacuação de todos os operativos do Hezbollah' de uma área entre a fronteira israelense e o rio Litani, distante cerca de 30 km ao norte, atualmente ocupada pelas forças terrestres israelenses.
Segundo o acordo, os EUA ajudariam na criação de 'zonas piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas teriam controle exclusivo do território, excluindo todos os atores não estatais'. No entanto, o acordo não apresentou mapas indicando a localização dessas zonas nem explicou como elas funcionariam na prática.
Essa negociação ocorreu após um cessar-fogo parcial anunciado na segunda-feira, que prometia que Israel se absteria de bombardear a capital libanesa, Beirute, em troca do compromisso do Hezbollah de não atacar Israel. Os representantes dos dois países estão agendados para se reunir novamente no dia 22 de junho para discutir mais a fundo a possibilidade de um acordo mais Israel Intensifica Ataques no Sul do Líbano: Trégua com H... abrangente.
O Hezbollah, que se define como uma milícia muçulmana xiita, partido político e movimento social, é o grupo mais poderoso do Líbano. Com o apoio do Irã, construiu uma força armada considerável.


