Hegseth recomenda ao Irão um acordo sensato antes de negociações
O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, instiga o Irão a buscar um entendimento sólido antes das conversas de paz no Paquistão, destacando a continuidade do bloqueio marítimo.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, fez um apelo ao Irão para que busque um “acordo bom e sensato” antes da segunda fase das negociações de paz, que estão previstas para acontecer no Paquistão, na noite de sexta-feira. Reforçando o que foi dito pelo presidente Donald Trump na quinta-feira, Hegseth mencionou que Washington não está com pressa para firmar um acordo, afirmando: “Temos todo o tempo do mundo”.
Durante uma conversa com repórteres no Pentágono, ele destacou que o bloqueio imposto pelos EUA ao transporte marítimo iraniano vai continuar “o tempo que for necessário”. Essa ação é parte da missão “ousada e perigosa” de Washington de conter a ameaça que Teerão representa para a segurança global.
Até agora, as autoridades americanas informaram que o bloqueio fez com que 34 navios recuassem, embora dados de monitoramento indiquem que o Irão ainda tem conseguido exportar parte do petróleo que está sob sanções. De acordo com a Lloyd's List Intelligence, “um fluxo constante de tráfego da frota sombra” tem saído e entrado no Golfo Pérsico, incluindo 11 navios-tanque com carga iraniana que deixaram o Golfo de Omã desde o dia 13 de abril.
Hegseth também criticou os aliados europeus dos EUA, acusando-os de “se aproveitarem livremente” ao não mobilizarem suas próprias forças para reabrir o Estreito de Ormuz, que permanece fechado desde o início do conflito com o Irão, em 28 de fevereiro. “Não estamos contando com a Europa, mas eles precisam do Estreito de Ormuz muito mais do que nós”, enfatizou.
Com um tom irônico, o secretário da Defesa se referiu à recente cimeira europeia em Chipre, sugerindo que os aliados dos EUA “talvez queiram começar a falar menos”, em vez de realizarem “uma conferência tola”.
O bloqueio do Irão ao estreito tem causado perturbações significativas no abastecimento energético global, especialmente na Europa, e tem contribuído para o aumento dos preços de energia ao redor do mundo. O presidente francês, Emmanuel Macron, comentou que os EUA não podem reclamar de falta de apoio “numa operação que escolheram empreender sozinhos”.
Enquanto isso, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, deverá chegar a Islamabad na sexta-feira à noite, conforme uma fonte oficial paquistanesa, embora não tenha sido revelado com quem ele se encontrará.
A capital paquistanesa está se preparando para essa nova rodada de conversações, mas ainda não se sabe se Araghchi e sua delegação se reunirão com algum representante americano para discutir o conflito. Para garantir a segurança durante esse período, Islamabad reforçou a vigilância, estabelecendo postos de controle e fechando algumas estradas na “zona vermelha” ao redor do local das negociações.
O Paquistão se posicionou como um mediador principal nos esforços para encerrar a guerra, mas, após intensas conversas no dia 11 de abril, Teerão ainda não enviou uma delegação para essa segunda fase em Islamabad. É incerto se o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ou outros altos funcionários da administração estarão presentes nas discussões.