Hamas é o principal obstáculo na segunda fase do cessar-fogo em Gaza
Conselho da Paz destaca a recusa do Hamas em desarmar como barreira ao progresso do cessar-fogo em Gaza, impactando a situação humanitária.

O Hamas foi identificado como "o principal obstáculo" à transição para a segunda fase do cessar-fogo em Gaza, segundo um relatório inicial do Conselho da Paz, uma iniciativa lançada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Conselho de Segurança da ONU. O documento destaca a preocupação com as contínuas violações do cessar-fogo. "Neste momento, a principal barreira à plena implementação continua sendo a recusa do Hamas em aceitar um desarmamento verificável, abrir mão do controle coercivo e permitir uma verdadeira transição para uma administração civil em Gaza", pode-se ler no relatório.
Nickolay Mladenov, que atua como alto representante do Conselho da Paz para Gaza, está programado para apresentar essas informações ao Conselho de Segurança da ONU na próxima quinta-feira. Vale ressaltar que existem já instituições, recursos e um plano delineado para avançar nas próximas etapas, mas isso depende das decisões tomadas pelas partes envolvidas.
Embora tenha sido estabelecido um cessar-fogo em outubro, a situação em Gaza permanece marcada por violência diária. Ataques israelitas continuam, assim como trocas de acusações sobre violações da trégua. O relatório menciona que as violações do cessar-fogo "ocorrem quase diariamente, muitas vezes com gravidade, e suas consequências humanas não podem ser ignoradas".
A administração Trump, em colaboração com o Qatar e o Egito, facilitou o cessar-fogo como uma tentativa de encerrar dois anos de conflito no território palestiniano. Em janeiro, Washington anunciou que estava avançando para a segunda fase do plano de paz, que inclui o desarmamento do Hamas. Esse movimento se deu após o ataque sem precedentes ocorrido em 7 de outubro de 2023, que provocou uma grande ofensiva de retaliação por parte de Israel.
A primeira fase da trégua resultou na libertação dos últimos reféns capturados em outubro de 2023, em troca de palestinianos que estavam detidos em prisões israelitas. No entanto, a transição para a segunda fase, que envolve o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas, está estagnada há semanas, especialmente enquanto a atenção internacional se volta para o Irã e o estreito de Ormuz.
Por fim, o relatório enfatiza que o desmantelamento das armas do Hamas é "crucial para que a reconstrução comece, para uma retirada limitada das forças israelitas e para que se possa avançar em direção a um caminho viável rumo à autodeterminação e ao reconhecimento do Estado palestiniano".