Hackers Focam em Contas de IA para Roubo de Dados Sensíveis

Hackers Focam em Contas de IA para Roubo de Dados Sensíveis

Criminosos virtuais estão ampliando seus ataques, mirando em contas de IA para acessar informações corporativas valiosas e expor dados confidenciais.

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Reprodução Redes Sociais

Os criminosos virtuais estão ampliando suas estratégias e, agora, têm olhado com atenção para malwares que visam roubar informações valiosas, como as contas de inteligência artificial utilizadas nas empresas. O que está em jogo aqui vai além de simplesmente obter uma senha. Quando uma sessão do ChatGPT ou de outra plataforma é comprometida, o resultado pode ser a exposição de históricos de conversas, códigos, documentos internos e até chaves de acesso a modelos de IA.

Um levantamento da empresa de cibersegurança SOCRadar revelou que mais de 1 milhão de registros foram analisados, todos relacionados a um tipo de malware especializado em roubar informações armazenadas em dispositivos infectados. Esses dados estavam vinculados a serviços de IA e envolviam mais de 80 mil domínios corporativos. É importante notar que esse número não implica que mais de 80 mil empresas tenham suas redes invadidas diretamente. Os domínios foram capturados nos registros dos malwares, que também podem incluir contas corporativas acessadas em computadores pessoais infectados.

Para compreender melhor essa situação, a SOCRadar selecionou 482 grandes empresas de 36 países e oito setores diferentes. O resultado foi a identificação de 5.434 registros relacionados a cerca de 1,5 mil endereços de e-mail corporativos. Desses, 295 companhias foram observadas em registros gerados nos últimos 90 dias. Mas, afinal, por que as contas de IA estão atraindo tanto a atenção dos criminosos?

Os infostealers, que são os malwares responsáveis por esse tipo de ataque, costumam ser disseminados por várias vias, como softwares adulterados, sites maliciosos e campanhas de phishing. Uma vez dentro do computador, esses malwares conseguem coletar senhas salvas no navegador, cookies de sessão, tokens de autenticação e chaves de API. Com a crescente adoção de ferramentas de IA no ambiente de trabalho, essas informações passaram a ter um valor ainda maior. Funcionários podem, sem perceber, enviar códigos-fonte, contratos, dados de clientes e informações sobre projetos futuros para chatbots, por exemplo. Se um atacante conseguir assumir uma sessão ativa, uma parte desse histórico pode ficar à mercê dele.

Outro ponto a se considerar são os cookies de sessão. Eles mantêm o usuário autenticado após o login e, dependendo das medidas de segurança implementadas pelo serviço, podem permitir que um criminoso reutilize uma sessão roubada sem precisar inserir a senha novamente. Assim, uma simples troca de senha pode não ser suficiente para encerrar todos os acessos comprometidos.

O Google Threat Intelligence Group (GTIG) também vem monitorando essa situação e identificou criminosos com interesse em ativos ligados à inteligência artificial. Em um relatório divulgado recentemente, o grupo observou o roubo de credenciais de APIs e o uso de ambientes de nuvem comprometidos para executar cargas de IA sem autorização. Além disso, pesquisadores da Gen Digital notaram movimentos semelhantes ao analisarem as regras empregadas pelos infostealers. Esses malwares começaram a procurar dados locais de ferramentas de desenvolvimento com IA, incluindo tokens de acesso, configurações e informações de projetos.

Um dado alarmante é que, entre as 482 empresas analisadas pela SOCRadar, credenciais ou sessões relacionadas ao ChatGPT e à OpenAI foram encontradas em 358 delas. Esses casos representaram cerca de 90% dos registros identificados nesse corte de dados.

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