Grito dos Excluídos: Mobilizações por Moradia e Direitos em 2026
Movimentos sociais se uniram em mais de 50 cidades do Brasil, clamando por moradia digna e contra a violência, no Grito dos Excluídos 2026.
Movimentos sociais tomaram as ruas nesta segunda-feira, dia 7, para a 32ª edição do Grito dos Excluídos. Com marchas e atos em mais de 50 cidades espalhadas por todas as regiões do Brasil, a mobilização foi um reflexo claro das vozes que clamam por mudanças. Carregando faixas, bandeiras e entoando gritos de guerra, os manifestantes reforçaram o lema deste ano: “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!” Este chamado à ação ecoou em cada canto da nação, refletindo as demandas por direitos fundamentais. As reivindicações foram amplas e essenciais. Os participantes clamaram por moradia digna, reforma agrária, uma educação pública de qualidade, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e o enfrentamento não apenas do feminicídio, mas de todas as formas de violência contra as mulheres, além do combate ao racismo e à LGBTfobia. Outro ponto importante foi a exigência do fim da jornada de trabalho 6x1. Na capital paulista, a caminhada passou pelos principais pontos do centro e encerrou com uma missa na Catedral da Sé, dedicada especialmente à população em situação de rua. Antes do ato, um café da manhã comunitário foi servido, promovendo a união entre os presentes. Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares e uma das organizadoras do evento, expressou sua visão sobre liberdade. Segundo ela, a verdadeira liberdade só será alcançada quando não houver mais pessoas vivendo nas ruas. “Utilizamos esse dia para afirmar: ainda não temos liberdade; precisamos avançar muito para sermos um país e uma sociedade livres”, disse à Agência Brasil. Frei David Santos, coordenador do cursinho Educafro, também fez questão de ressaltar a importância da defesa da democracia, alertando para a necessidade de evitar interferências econômicas nas eleições. “Hoje, é crucial estarmos juntos pela Democracia”, enfatizou. Deuza Cordeiro de Lima compareceu à manifestação para protestar contra a violência policial. Seu filho, Thiago, foi assassinado em janeiro de 2023, no centro da capital. “Estou aqui, como em outros anos, para denunciar a violência. Meu filho foi morto pela polícia, e os responsáveis estão soltos. Ele era inocente, mais um entre tantos, e não posso ficar calada”, desabafou. Célia Souza, acompanhada de amigos, também fez sua voz ser ouvida, defendendo o direito à moradia digna para todos. “Estou aqui pela luta. A moradia é uma necessidade básica da qual não podemos abrir mão”, afirmou. No Rio de Janeiro, o ato tomou conta da Avenida Presidente Vargas, uma das principais artérias do centro, e teve início logo após o Desfile de Sete de Setembro. Um dos aspectos marcantes desse ato foi a presença de um grupo de ativistas que trouxe o teatro para a manifestação. Durante a marcha, eles encenaram esquetes que defendiam a soberania nacional e a democracia. Essa ação foi coordenada pela Escola de Teatro Popular, que se identifica como um movimento de teatro político e educação popular. Julian Boal, um dos coordenadores do grupo e filho do renomado Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido, explicou que a presença no Grito dos Excluídos teve como objetivo atrair mais pessoas para a manifestação. Ele compartilhou que as encenações buscaram mostrar que a participação democrática vai além do voto, abrangendo o engajamento ativo na sociedade.
