
Grindr Paga £26 Milhões por Compartilhamento Indevido de Dados
Acordo histórico visa resolver acusações sobre privacidade de usuários LGBTQ+ e status de HIV, com pagamentos programados até março de 2027.
Reprodução Redes Sociais
Grindr, a plataforma de encontros LGBTQ+ mais popular do mundo, concordou em pagar £26 milhões para resolver um processo judicial que alegava o compartilhamento inadequado de informações pessoais de seus usuários, incluindo o status do HIV, com terceiros. O caso foi movido no Tribunal Superior em 2024, com denúncias de que a empresa havia violado a privacidade das pessoas. Depois, a ação coletiva foi apresentada nos Estados Unidos, onde o escritório de advocacia responsável pela causa afirmou ter mais de 11.000 reclamantes.
Conforme um registro regulatório nos EUA, Grindr fará dois pagamentos de £13 milhões para quitar as reivindicações. A empresa enfatizou que o acordo não implica em admissão de culpa. Vale ressaltar que Grindr destacou que as alegações se referem a "práticas de dados históricas" anteriores a 2020, quando a empresa estava sob a propriedade da firma chinesa Kunlun.
Segundo o registro enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, o acordo foi alcançado em 2 de setembro. A empresa, embora discorde das alegações, reconhece a angústia e a perda de confiança expressas por alguns usuários no Reino Unido em relação ao período antes de 2020. A Grindr se comprometeu a efetuar o primeiro pagamento de £13 milhões até 31 de dezembro e o segundo até 31 de março de 2027.
As alegações, que surgiram há mais de dois anos, foram apresentadas pelo escritório de advocacia Austen Hayes, e afirmam que a Grindr compartilhou dados sensíveis com terceiros para fins comerciais, infringindo as leis de privacidade do Reino Unido. Isso incluía informações sobre etnia e orientação sexual de seus usuários.
Os usuários do Grindr têm a opção de compartilhar seu status de HIV e a data do último teste, uma iniciativa que, segundo a empresa, visa reduzir o estigma, facilitar diálogos e ajudar os usuários a tomarem decisões informadas sobre saúde. Chaya Hanoomanjee, a advogada que liderou a reclamação, mencionou em abril de 2024 que os reclamantes vivenciaram "angústia significativa" por causa do compartilhamento não autorizado de informações sensíveis e pessoais. Ela afirmou que a empresa "deve à comunidade LGBTQ+ que atende compensar aqueles cujos dados foram comprometidos".
A Grindr tornou-se uma empresa de capital aberto em 2022, dois anos após a mudança de propriedade. Duas empresas de análise de dados, Apptimize e Localytics, foram identificadas como terceiros que tiveram acesso a esses dados sensíveis. O processo alegava que um número potencialmente ilimitado de terceiros utilizava essas informações para personalizar anúncios direcionados aos usuários do Grindr.
As revelações sobre o compartilhamento de dados pessoais, incluindo o status de HIV, surgiram em 2018, quando a Grindr defendeu essa prática como alinhada aos padrões do setor, embora tenha afirmado que parou de compartilhar dados de HIV com aquelas empresas. A empresa foi multada em £5,5 milhões pela autoridade de proteção de dados da Noruega e, posteriormente, em 2022, recebeu uma reprimenda do Escritório do Comissário de Informação do Reino Unido por suas práticas de dados.
Recentemente, a Grindr informou que, desde 2020, reformulou suas práticas de privacidade para atender às "necessidades únicas de sua comunidade". A mensagem é clara: a Grindr continua comprometida em ser um espaço seguro para seus usuários, focando na transparência, no controle do usuário e na responsabilidade.
