Governo pede inclusão de canetas emagrecedoras no SUS
Ministério da Saúde solicita à Conitec a incorporação de canetas para emagrecimento, visando combater a obesidade crescente no Brasil.
O Ministério da Saúde (MS) apresentou, na manhã de quinta-feira, 24 de setembro de 2026, um pedido à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). O objetivo é incluir as canetas emagrecedoras (GLP-1) na lista de medicamentos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A justificativa do ministério é preocupante: o número de pessoas com obesidade saltou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Esse crescimento acentuado exige um acompanhamento e um tratamento prolongado, o que pode impactar positivamente tanto na redução da mortalidade quanto na qualidade de vida dos pacientes. Além disso, há a questão dos gastos do sistema de saúde que também se beneficiaria com a adoção de novas abordagens.
Vale lembrar que o tratamento da obesidade a longo prazo com as canetas emagrecedoras já é respaldado por diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS alerta que, sem políticas adequadas, o acesso a essas terapias pode aumentar as desigualdades em saúde.
Outro ponto importante levantado pelo ministério é que, com a maior concorrência no mercado, os custos desse medicamento no Brasil diminuíram em até 70% em menos de um ano. Em agosto, a Conitec havia negado a inclusão das canetas emagrecedoras, citando o alto impacto financeiro. Entretanto, o MS acredita que o cenário atual é diferente.
“Até agora, 25 canetas emagrecedoras foram registradas no Brasil, sendo 14 delas apenas em 2026. Isso é resultado direto da estratégia de incentivo do Ministério e da Anvisa, incluindo versões fabricadas no país e medicamentos genéricos. E ainda esperamos novos registros. O aumento da concorrência fez do Brasil o país com a maior variedade desse produto no mundo, além de ter reduzido os preços nas farmácias”, destacou em nota.
Ademais, se a incorporação do medicamento no SUS for aprovada, o acesso ao tratamento com GLP-1 será regulamentado. O uso será destinado a pacientes cuja obesidade possa ser controlada de forma a trazer benefícios significativos para sua saúde, além de evitar complicações e a necessidade de procedimentos mais complexos.
Na semana passada, durante uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mencionou esse assunto. Ele comentou sobre a recente diminuição nos custos do medicamento e ressaltou que as canetas emagrecedoras serão utilizadas “de forma responsável” no SUS.
“Antes, o custo era de R$ 1,7 mil a R$ 2 mil. Agora, já encontramos preços entre R$ 300 e R$ 400 nas farmácias, facilitando o acesso. Isso já representa uma ajuda significativa para muitas pessoas. Porém, nosso objetivo é garantir que essa medicação seja um direito no SUS. E faremos isso de maneira responsável”, enfatizou.
A Conitec, criada em 2011, é a entidade encarregada de elaborar ou modificar protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas na área da saúde. Após uma consulta pública, as sugestões recebidas são organizadas e integradas aos relatórios técnicos, que serão analisados pelos membros do colegiado, que então emitem uma recomendação final sobre o medicamento ou tecnologia em questão.
