Governo Intensifica Combate à Coqueluche na TI Yanomami
A iniciativa divulgada na última quarta-feira (18) é uma resposta do Governo Federal ao aumento das infecções por coqueluche entre crianças da região, que já soma oito casos e três óbitos.
© Fernando Frazão/Agência Brasil
O Ministério da Saúde formou uma equipe emergencial para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima. Essa iniciativa, divulgada em 18 de fevereiro de 2026, é uma resposta ao alarmante aumento de infecções por coqueluche entre crianças da região, que já contabiliza oito casos e três óbitos.
A coqueluche, uma infecção respiratória bacteriana altamente contagiosa, inicia-se com sintomas como crises de tosse seca. A equipe do Ministério da Saúde chegou à área em 16 de fevereiro, acompanhada por especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, que trazem experiência valiosa para a contenção de surtos e manejo de doenças infecciosas.
Esses profissionais trabalharão em colaboração com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que já realizava coletas de material e ações de prevenção nas aldeias vizinhas. No total, 50 profissionais se somarão aos esforços locais para prevenir novos casos e oferecer assistência adequada.
Atualmente, as crianças infectadas estão sendo tratadas em hospitais em Boa Vista, a capital do estado. Duas delas já foram liberadas para retornar às suas aldeias, enquanto todos os casos suspeitos permanecem sob investigação e monitoramento.
A vacinação é o principal método de prevenção contra a coqueluche. No Brasil, a vacina está disponível pelo SUS para crianças de até 7 anos e gestantes, nas Unidades Básicas de Saúde. De acordo com informações do Dsei Yanomami, o número de crianças com o esquema vacinal completo, especialmente aquelas com menos de 1 ano, quase dobrou entre 2022 e 2025, passando de 29,8% para 57,8%. Para crianças menores de 5 anos, a taxa subiu de cerca de 52% para 73% nesse mesmo intervalo.
Em 2023, o Governo Federal declarou estado de emergência na Terra Indígena Yanomami devido aos altos índices de desnutrição, malária e mortes por diversas causas. Essa situação levou à implementação de ações para enfrentar a crise sanitária, agravada pelo garimpo ilegal. A resposta envolveu os ministérios da Saúde, Defesa e Povos Indígenas, focando na estruturação dos serviços de saúde pública e segurança.
Medidas como o fechamento de garimpos ilegais, a destinação de recursos para o controle do espaço aéreo e ações voltadas à despoluição dos rios, tratamento da água potável e construção de unidades de saúde especializadas foram adotadas. Desde a declaração do estado de emergência, a mortalidade na região caiu 27,6%, embora lideranças indígenas alertem para os desafios persistentes.
Com uma população que ultrapassa 30 mil pessoas e cerca de 376 comunidades, a TI Yanomami se destaca como o maior território indígena do Brasil.
