
Governo da RDC: Ação urgente contra Ebola é vital para evitar catástrofe
O surto de Ebola em Ituri exige resposta rápida e recursos adequados para evitar uma crise humanitária ainda maior.
People in the affected areas are wearing face masks and avoiding contact with others to prevent the spread of Ebola
O governador militar da província de Ituri, na República Democrática do Congo, epicentro do atual surto de Ebola, comparou a luta contra o vírus a uma "guerra" e ressaltou a falta de recursos para enfrentar essa batalha. "As pessoas nas áreas afetadas estão recebendo pouca comida", declarou Johnny Luboya Nkashama em entrevista à emissora francesa RFI. Ele também destacou que "outras doenças" e a "superlotação" complicam ainda mais a situação.
A urgência da resposta foi enfatizada por ele, que pediu um fortalecimento da capacidade da equipe para evitar que Ituri "mergulhe em uma catástrofe". Desde a declaração do surto em 15 de maio, mais de 900 casos suspeitos de Ebola foram registrados, com 223 mortes suspeitas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a doença pode estar se espalhando mais rapidamente do que se imaginava, levando à declaração de uma emergência de saúde pública de interesse OMS Declara Emergência Internacional por Surto de Ebola internacional.
Na segunda-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que está prestes a viajar para o DR Congo, comentou que o surto de Ebola está superando os esforços urgentes para ampliar a resposta, afirmando que os agentes de saúde estão "correndo atrás do prejuízo". Além de Ituri, casos de Ebola foram relatados nas províncias de Kivu do Norte e do Sul, assim como em Uganda, Alerta da OMS: Surto de Ebola se espalha rapidamente na RDC onde sete casos confirmados foram identificados.
Ao detalhar as necessidades da sua província, Nkashama explicou que é crucial a rápida mobilização de "pessoal qualificado" e a criação de "centros de tratamento seguros". Em um cenário alarmante, familiares enraivecidos que tentavam recuperar os corpos de entes queridos que supostamente morreram de Ebola atacaram dois centros de tratamento. "Nossos recursos existentes estavam dedicados à guerra, e esta segunda guerra que agora enfrentamos exige ainda mais", enfatizou durante a entrevista à RFI.
Desde 2021, Ituri está sob comando militar, após a substituição da autoridade civil por um general, numa tentativa de neutralizar dezenas de grupos armados que atuam na região há anos, incluindo as Forças Democráticas Aliadas (ADF), ligadas ao grupo Estado Islâmico. O governador também ressaltou a importância de mobilizar recursos financeiros, afirmando que "quanto mais tempo perdermos, mais perto estaremos da catástrofe".
No sábado, o chefe dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) se reuniu com ministros da saúde do DR Congo, Uganda e Sudão do Sul para finalizar a coordenação transfronteiriça em resposta ao surto. O diretor-geral do Africa CDC, Dr. Jean Kaseya, anunciou que um orçamento de 319 milhões de dólares foi acordado para conter a propagação do surto, destacando que 10% desse valor já foi garantido pelos países afetados. No mesmo dia, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa prometeu um apoio inicial de 5 milhões de dólares para a iniciativa. Kaseya também mencionou que empresários africanos se reunirão ainda esta semana para "levantar fundos adicionais", enquanto parceiros internacionais também estão "comprometendo recursos financeiros". O Africa CDC alertou que outros países do continente, como Angola, Burundi, República Centro-Africana, Etiópia, Quênia, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia e outros, devem estar atentos ao surto.


