Governo Brasileiro Busca Negociar Tarifas dos EUA com Cautela
Após a recomendação de aumento nas tarifas de importação dos EUA, governo brasileiro vê chance de negociação, mas responsabiliza Flávio Bolsonaro por falhas.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já estava preparado para a recomendação de aumento nas tarifas de importação por parte dos Estados Unidos, que alegam práticas desleais por parte do Brasil. Essa informação foi divulgada na madrugada desta terça-feira, 2 de junho de 2026.
A equipe presidencial vê uma oportunidade para negociação e recebeu com alívio a lista de exceções, que inclui itens como café, carne, aeronaves e peças. No mês passado, Lula havia anunciado um acordo para tratar das tarifas e da investigação comercial dos EUA.
A proposta americana sugere uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Interlocutores do Palácio do Planalto comentam que as conversas mais recentes têm sido encorajadoras.
Entretanto, é importante notar que existem críticas internas em relação aos argumentos apresentados na investigação americana, especialmente no que diz respeito ao sistema PIX e aos acordos preferenciais. A expectativa é manter os canais diplomáticos abertos e intensificar as negociações com a administração americana nas próximas semanas.
Atualizado há 1 hora
A decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) foi anunciada na noite desta segunda-feira (1º) e tem por base termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974. A investigação avaliou práticas nas áreas de comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, como o Pix; concessão de tarifas preferenciais; proteção de propriedade intelectual; combate à corrupção; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal. O USTR afirma que, nesses pontos, há prejuízo para empresas e exportações dos EUA. Como consequência, o governo americano abriu consulta pública sobre possíveis medidas corretivas. O processo inclui envio de comentários até 1º de julho e audiência pública em 6 de julho, enquanto seguem as negociações com o governo brasileiro. O prazo legal para a eventual adoção da nova tarifa é 15 de julho de 2026.
Atualizado há 17 horas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta terça-feira (2), o argumento do governo dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas “irrazoáveis” na relação entre os dois países. Lula voltou a lembrar que os norte-americanos têm superávit na relação comercial com o Brasil. E, se alguém deveria aplicar tarifas, deveria ser o Brasil.
“O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões. Então, quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”. Lula lembrou também que tanto ele quanto o presidente dos EUA, Donald Trump, haviam concordado em dar 30 dias de prazo para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Em um dia em que, mais uma vez, os Estados Unidos propõem taxas contra os produtos brasileiros alegando deslealdade comercial, Lula afirmou que sua guerra é a “guerra da verdade”.
“Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira.”
Atualizado há 65 horas
Em um dia em que, mais uma vez, os Estados Unidos propõem taxas contra os produtos brasileiros alegando deslealdade comercial, Lula afirmou que sua guerra é a “guerra da verdade”. “Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira.”
Lula discursou em evento de inauguração do novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO). Na ocasião, ele também lembrou o posicionamento dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro quando Trump aplicou tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA. Sem dizer o nome, citou uma postagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que, à época, agradeceu a Donald Trump pelas tarifas contra produtos brasileiros.
“No dia que ele [Trump] taxou, vou dizer o que fez os meninos do Bolsonaro. Um deles, que é candidato à Presidência, tuitou no dia 9 de julho de 2025: 'Obrigado, Trump, faça o Brasil livre de novo'”, lembrou. “O filho dele, que foi hoje à televisão dizer que não disse nada, agradeceu.”