Google Lança Satélite com IA para Testes de Computação Espacial

Google Lança Satélite com IA para Testes de Computação Espacial

No dia 1º de outubro, Google inicia o Project Suncatcher, que visa testar chips de IA em condições extremas do espaço.

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Arte editorial automática

O Google está prestes a dar um passo ousado no dia 1º de outubro, quando lançará um satélite experimental que traz em seu interior chips de inteligência artificial. Essa missão marca o início do Project Suncatcher, uma iniciativa que busca explorar a viabilidade de levar infraestrutura de computação para o espaço.

Chamado de MVP, esse protótipo será enviado ao espaço por meio de um foguete Falcon 9, da SpaceX. De acordo com informações do The New York Times, o satélite contará com quatro unidades de processamento tensorial (TPUs), que são chips desenvolvidos pelo Google para atender a cargas de trabalho de IA, além de painéis solares que podem gerar cerca de 1 quilowatt de potência.

É importante destacar que o objetivo inicial não é colocar um data center completo em órbita. O foco do Google, na verdade, é entender como esses chips se comportam nas condições extremas do espaço, como as vibrações do lançamento, a radiação e as variações de temperatura que existem fora da atmosfera.

Antes do grande lançamento, a empresa passou os equipamentos por rigorosos testes de vibração e radiação. O Google afirma que as TPUs são robustas o suficiente para suportar forças de 50 a 100 vezes a gravidade da Terra. Nos testes de radiação, os chips também mostraram resistência a doses muito superiores às que se esperaria em uma missão espacial de cinco anos. No entanto, a companhia reconhece que certas características só poderão ser avaliadas uma vez que o satélite esteja em órbita.

Outro aspecto a ser considerado é o resfriamento do equipamento. No vácuo do espaço, não há fluxo de ar, o que inviabiliza o uso de ventoinhas comuns. Para lidar com isso, a empresa testará uma combinação de tubos de calor e radiadores para dissipar o calor gerado pelos chips.

Travis Beals, que é diretor sênior do Project Suncatcher, explica que as TPUs poderão funcionar por aproximadamente 15 minutos antes de precisarem ser desligadas para esfriar. Durante esse intervalo, o satélite deverá processar consultas simples de IA.

Vale lembrar que esse experimento é apenas uma etapa de um projeto mais amplo. O Google já está planejando o lançamento de dois novos satélites em 2027, que testarão, entre outras inovações, a comunicação entre equipamentos usando lasers.

Em projetos futuros, a expectativa é que esses satélites possam carregar dezenas de TPUs e operar em conjunto, permitindo o processamento de cargas maiores de IA. A energia necessária para alimentar essa infraestrutura é uma das razões que motivam o Google a explorar as possibilidades do espaço.

A empresa destaca que satélites em órbita terrestre baixa podem captar luz solar quase continuamente, gerando até oito vezes mais energia solar do que as instalações equivalentes na Terra.

Entretanto, transformar esses experimentos em uma infraestrutura de computação em grande escala pode levar tempo. James Manyika, vice-presidente sênior de pesquisa do Google, comentou em uma entrevista que a companhia não espera ter um sistema verdadeiramente operacional nos próximos anos.

O satélite planejado para ser lançado em outubro deve operar por um período de cerca de um ano para os experimentos do projeto, embora exista a possibilidade de que permaneça em órbita por até seis anos antes de reentrar na atmosfera. Essa é uma jornada fascinante que o Google está prestes a iniciar, com o potencial de revolucionar a computação no espaço.

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