
Gestores Desanimados: O Fim do 'Kit Brasil' e o Dólar em Alta
Pesquisa da XP revela que 95% dos gestores têm expectativas negativas para a economia brasileira, mudando drasticamente suas estratégias de investimento.
Pesquisa Pré-Copom XP, de 4 de novembro de 2026
04/11/2026, 10h49
• Atualizado há 6 minutos
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Na última semana, o clima de otimismo que havia tomado conta do mercado financeiro em relação à economia brasileira se dissipou. Às vésperas de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), surpreende saber que 95% dos gestores possuem uma perspectiva negativa para a economia do país. Este é, sem dúvida, o maior índice registrado até aqui, e, curiosamente, nenhuma gestora se atreve a prever um cenário positivo.
Esse cenário de incerteza resultou em uma mudança significativa nas estratégias das gestoras de investimento. Em abril, o chamado “Kit Brasil” – que apostava na valorização da bolsa, na queda do dólar e na redução das taxas de juros – era amplamente aceito. No entanto, a situação se reverteu. Desde junho, observamos um movimento crescente em direção ao dólar, que agora se consolidou diante desse pessimismo recorde.
Vale mencionar que esses dados são provenientes da pesquisa pré-Copom realizada pela XP entre os dias 26 e 30 de outubro, que envolveu 20 gestoras de fundos multimercados macro. Essa pesquisa ocorreu na semana seguinte às eleições, que foram decididas no domingo, dia 25. A decisão sobre os juros do país será anunciada nesta quarta-feira, 4 de novembro.
“O movimento que se construiu após o primeiro turno foi drasticamente revertido em um único dia de pregão: em 26 de outubro, o Ibovespa caiu 13,9%, enquanto o dólar se valorizou cerca de 8%. Além disso, a curva de juros se abriu em mais de 250 pontos-base. Diante desse novo cenário, os gestores diminuíram consideravelmente suas exposições ao kit Brasil”, destaca a XP em um relatório assinado pelos analistas de fundos Clara Sodré, Luiz Felippo, Pedro Frota e José Pini.
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O que parecia ser um consenso sobre um eventual afrouxamento da Selic agora se desfez. Hoje, 75% dos gestores acreditam que os juros permanecerão no nível atual, de 13,75%, enquanto 25% ainda esperam uma redução de 25 pontos-base. Nenhuma gestora antecipa um aumento nas taxas de juros na próxima reunião.
A Selic terminal, por sua vez, passou a ser projetada em 13,04%, refletindo a diminuição na confiança em relação à duração do ciclo de cortes. No cenário internacional, o Federal Reserve manteve as taxas de juros nos Estados Unidos entre 3,75% e 4%, e 70% dos gestores ainda enxergam potencial para um aumento nas taxas americanas.
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Diante de todo esse pessimismo, o mercado de moedas viu uma das mais marcantes mudanças de humor. Em setembro, 64% dos gestores estavam vendidos em dólar; hoje, 70% estão comprados na moeda norte-americana, enquanto apenas 30% mantêm posições vendidas. Em relação ao real, a mudança foi igualmente significativa: as apostas compradas caíram de 75% para apenas 21%, enquanto as vendidas saltaram de 25% para impressionantes 79%. O relatório ressalta que o câmbio, que historicamente tem sido um dos principais indicadores do kit Brasil, agora se tornou uma ferramenta de proteção contra perdas neste período.
A confiança no mercado acionário brasileiro também se esvaiu. O número de gestores com posições compradas em ações brasileiras diminuiu de 70%, em setembro, para apenas 25%.