Fundos de Pensão Reduzem Ações para 4,7% desde 2013

Entidades de previdência planejam aumentar exposição a ações após queda significativa nos últimos anos, destacando a busca por diversificação.

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21 de outubro de 2026, 10h44

Atualizado há pouco

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Os fundos de pensão estão planejando aumentar sua participação em ações nos próximos três anos. Esse movimento acontece após uma queda significativa na renda variável, que diminuiu de 34% para apenas 4,7% de suas carteiras desde 2013. Contudo, a Bolsa ainda não conseguiu acompanhar o ritmo dos investimentos no exterior, que lideram as metas de aumento de exposição. Esses dados foram extraídos do Raio-X de Investimentos das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) de 2026, um estudo realizado pela Abrapp, em colaboração com a Itajubá Investimentos.

O levantamento foi apresentado nesta quarta-feira (21) durante um congresso em São Paulo, reunindo entidades que acumulam R$ 461 bilhões em ativos, o que representa cerca de um terço do sistema. A pesquisa compara a situação atual com os dados de dezembro de 2025, assim como as edições anteriores de 2013 e 2023. Uma das constatações é que a intenção de aumentar a exposição a ações é mais expressiva para um horizonte de três anos, com um aumento projetado de 26 pontos percentuais, em comparação ao horizonte de um ano.

Gestores e economistas acreditam que existe um espaço maior para uma queda acentuada dos ativos sob a gestão de Lula, em contraste com a possibilidade de uma alta prolongada sob Flávio. O futuro mais otimista, no entanto, depende de um detalhamento do ajuste fiscal que se faz necessário.

Na análise de dezembro de 2025, a renda fixa dominava com 86% dos ativos das entidades, sendo que a maior parte desse montante estava investida em títulos públicos, com as NTN-Bs (Tesouro IPCA+) liderando entre os papéis atrelados à inflação. No segmento da renda variável, a gestão passiva e indexada teve um crescimento expressivo, mais que dobrando sua participação.

João Ferreira, diretor de Investimentos da Abrapp, comenta que essa concentração na renda fixa é um reflexo dos juros elevados e da maturidade do sistema. “Os juros reais altos proporcionaram uma excelente oportunidade para os fundos de pensão comprarem títulos públicos indexados à inflação, que oferecem rentabilidade superior aos seus compromissos atuariais. Além disso, o sistema é maduro, e o pagamento de benefícios supera as contribuições, reforçando a necessidade de investimentos que garantam maior estabilidade e menos volatilidade”, explica.

Ferreira também ressalta que uma recuperação significativa de ativos de maior risco está atrelada a uma mudança estrutural no cenário de juros. “À medida que os juros reais de mercado se aproximarem das taxas dos compromissos atuariais das entidades, os fundos de pensão precisarão buscar alternativas de investimento que ofereçam retornos superiores aos dos títulos públicos. Para que isso aconteça, é crucial ter previsibilidade de manutenção dos juros em níveis mais baixos por um período prolongado”, afirma.

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Carlos Garcia, sócio-fundador da Itajubá, acrescenta: “Quando analisamos as perspectivas para os próximos 12 e 36 meses, os investimentos no exterior se destacam como a principal intenção de aumento de exposição.”

A presença de investimentos internacionais evoluiu de metade das políticas de investimento em 2013 para impressionantes 84% em 2026, com mandatos globais ganhando destaque em relação aos focados nos Estados Unidos. A diversificação e a baixa correlação são os principais motivos que sustentam essa mudança.

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