
França Revoga Código Negro da Escravidão: Uma Decisão Histórica
Assembleia Nacional revoga antiga lei colonial, refletindo sobre o legado da escravidão e suas consequências atuais.
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Durante quase dois séculos, após a abolição da escravatura na França, uma antiga lei colonial que via seres humanos como "bens móveis" permaneceu em vigor, embora de forma discreta. Nesta quinta-feira, os legisladores finalmente tomaram a iniciativa de revogá-la, um passo que, embora simbólico, ocorre em um momento em que o país lida com seu legado colonial. Ativistas sublinham que as marcas da escravatura ainda se manifestam nas desigualdades entre a França metropolitana e suas antigas colônias, bem como no racismo persistente.
O projeto de lei, que obteve aprovação da Assembleia Nacional, visa revogar o Código Negro, um decreto assinado em 1685 pelo rei Luís XIV. É interessante notar que a França, que foi a terceira maior potência negreira da Europa, enviou cerca de 1,4 milhões de africanos para as plantações ao longo dos séculos XVII a XIX. Embora a escravatura tenha sido abolida em 1794, Napoleão a restaurou em 1802. Em 2001, o país finalmente reconheceu a escravatura como "crimes contra a humanidade".
Apesar dessa revogação, o presidente Emmanuel Macron, que expressou apoio à medida, ainda não se desculpou. O deputado Max Mathiasin, um dos defensores do projeto, descreveu a revogação como um "gesto simbólico e político forte", uma forma de prestar homenagem aos antepassados. Essa votação é vista como uma tentativa de restaurar a humanidade e reafirmar a promessa republicana de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.


