França: Danos dos Motins Dobram, Custos para Lojas em Alta
Mais de 3.000 lojas danificadas nos recentes motins na França, com seguradoras sem estimativas claras de custos. O impacto econômico é significativo.

No último fim de semana, o número de lojas danificadas durante os motins na França já ultrapassou a marca de 3.000, um número que dobrou em relação ao que havia sido reportado apenas um dia antes. Apesar da magnitude da destruição, as seguradoras ainda não têm uma estimativa clara dos custos envolvidos. A France Assureurs, que representa o setor segurador francês, informou à Euronews que seus membros estão “totalmente mobilizados para apoiar os segurados afetados”, mas, até o momento, não conseguiram fornecer uma estimativa inicial das perdas ou o total de reclamações já registradas.
A equipe de crise da federação está colaborando com as autoridades em todo o país após o que foi descrito como “acontecimentos extremamente violentos”. No domingo, Alexandre Bompard, CEO da Carrefour e presidente da federação do comércio retalhista FCD, estimou que cerca de 1.500 lojas tinham sido impactadas, apontando perdas no setor que podem chegar a várias centenas de milhões de euros.
No dia seguinte, a contagem oficial do governo já havia subido para 3.000. Apenas a Carrefour relatou danos em 50 de suas lojas, das quais 20 foram saqueadas.
Os mercados financeiros também sentiram o impacto na segunda-feira. O índice francês CAC 40 fechou com uma queda de 1,1%, apresentando um desempenho inferior ao do Euro STOXX 600, que recuou 0,9%. As ações da Carrefour desvalorizaram 2,2%, enquanto o conglomerado de luxo LVMH viu uma queda de 1,8%. Uma das boutiques da Louis Vuitton em Marselha foi uma das lojas assaltadas durante o tumulto do fim de semana.
O setor segurador não ficou imune, com a AXA perdendo 1,3% e a resseguradora SCOR caindo 0,9%. Em Milão, a Generali teve uma desvalorização de 2,3%, e a Unipol caiu 3,2%. Também houve pressão sobre os títulos de dívida pública francesa, com a taxa de juro das obrigações a dez anos subindo cerca de oito pontos base, para 4,94%, enquanto a taxa correspondente na Alemanha aumentou menos de quatro pontos base. Isso fez com que a diferença entre os custos de financiamento da França e da Alemanha se ampliasse para cerca de 148 pontos base.
O que aconteceu na França agora nos faz lembrar dos motins que ocorreram em junho e julho de 2023, que resultaram em perdas seguradas de 793 milhões de euros, conforme dados da France Assureurs. Naquela ocasião, cerca de 17.000 processos foram tratados, com um valor médio de cerca de 46.600 euros cada. Aproximadamente dois terços desse total, cerca de 523 milhões de euros, foram relacionados a lojas e estabelecimentos comerciais. Quase 200 milhões de euros foram direcionados a autarquias que tiveram suas câmaras municipais, escolas e ônibus atacados.
Os automóveis representaram os 7% restantes. É importante notar que esses números não capturaram completamente a extensão da destruição. Um inquérito posterior do Senado francês estimou os danos materiais em quase mil milhões de euros, revelando que parte das perdas nem sequer foi declarada e outras estavam apenas parcialmente cobertas pelo seguro. Essa comparação se torna ainda mais relevante agora, à medida que o número de lojas afetadas continua a crescer.


