Fim da Escala 6x1: Impacto em 2,6 milhões de Trabalhadores no Rio

Proposta de Emenda à Constituição pode reduzir jornada de trabalho e afetar a rotina de milhões, especialmente em pequenos negócios.

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Fim da Escala 6x1: Impacto em 2,6 milhões de Trabalhadores no Rio
Reprodução Redes Sociais

Sete em cada dez trabalhadores celetistas no Rio de Janeiro têm contratos que exigem mais de 40 horas semanais. Esse grupo é predominantemente jovem, com níveis de escolaridade mais baixos e uma maioria composta por pessoas pretas e pardas. A maior concentração desses trabalhadores se encontra no comércio, na limpeza e em pequenas empresas. Esses dados foram obtidos a partir de um levantamento realizado pelo Sebrae Rio, utilizando informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2025), do Ministério do Trabalho e Emprego.

A atual Proposta de Emenda à Constituição propõe uma redução na jornada máxima para 40 horas semanais, extinguindo a escala de trabalho 6x1. O projeto prevê uma transição que se estenderá por aproximadamente 14 meses: nos primeiros dois meses após a publicação, a jornada será reduzida para 42 horas e, um ano depois, para as 40 horas definitivas. Durante esse período de adaptação, os pequenos negócios terão a oportunidade de se organizar para as mudanças. O Sebrae Rio recomenda o redesenho de escalas, turnos e processos, além de um planejamento financeiro cuidadoso para o caixa. Na gestão de pessoas, o objetivo é ressaltar a importância do funcionário na operação. Em relação às vendas e receitas, as estratégias devem incluir ajustes de preços, Fim da Escala 6x1: Oportunidades para Pequenos Negócios mix de produtos e o uso de canais digitais para equilibrar a reorganização.

Essa mudança impactará a rotina de mais de 2,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Estado, o que representa 72,7% dos 3,6 milhões de celetistas fluminenses. Hoje, a maioria desse grupo cumpre a jornada padrão de 44 horas semanais, e aproximadamente metade, cerca de 1,3 milhão de pessoas, está empregada em micro e pequenas empresas.

Quem são os trabalhadores da jornada longa?

Embora a jornada acima de 40 horas seja comum em praticamente todos os perfis, ela atinge com mais força aqueles com menor escolaridade, os mais jovens e a população preta e parda. A escolaridade se destaca como o principal fator de divisão. Entre os trabalhadores com ensino fundamental incompleto, impressionantes 85,6% têm contratos que exigem mais de 40 horas. Já entre aqueles com diploma de nível superior, esse percentual cai para 47,4%, sendo o único grupo cuja proporção fica abaixo da metade.

Os jovens estão em maior número nessa situação. Na faixa etária de 18 a 24 anos, 81,8% deles se veem obrigados a cumprir jornadas longas, o que equivale a cerca de 307 mil pessoas. Os homens representam 62,1% desse total, ou seja, aproximadamente 1,64 milhão. Contudo, as mulheres também são significativamente afetadas: duas em cada três trabalhadoras com carteira assinada, correspondendo a 66,8%, trabalham mais de 40 horas, totalizando cerca de 1 milhão. Além disso, a população preta e parda compõe 59% dos trabalhadores nessa condição. A jornada longa atinge 76,6% dos trabalhadores pardos e 75,7% dos pretos, em comparação com 67,5% dos brancos.

Além disso, quem trabalha mais de 40 horas por semana recebe, em média, R$ 3.158 por mês, em contraste com os R$ 8.098 dos que têm contratos de 40 horas. Curiosamente, dois em cada três trabalhadores desse grupo, ou 66,7%, ganham até dois salários-mínimos e permanecem menos tempo no emprego: uma média de 51 meses, em comparação com 64 meses para aqueles que trabalham menos.

Onde eles trabalham?

Nas micro e pequenas empresas, 80,1% dos vínculos empregatícios ultrapassam 40 horas semanais. Já nas médias e grandes empresas, esse percentual é de 66,6%. Essa diferença se torna ainda mais evidente quando observamos o número de empregados. Nos negócios que contam com até quatro funcionários, a proporção do que é considerado jornada longa é significativa.

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