Figuras de Taubaté em Argila Recebem Indicação Geográfica
Figuras de Taubaté feitas em argila conquistam Indicação Geográfica

O Brasil, nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, celebra uma conquista significativa no artesanato: as figuras modeladas em argila de Taubaté, São Paulo, foram oficialmente reconhecidas com a Indicação Geográfica (IG) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este reconhecimento, que vai além de um simples título, reflete o esforço contínuo do Sebrae em apoiar pequenos negócios nessa jornada.
Com essa nova IG, o total de Indicações Geográficas no Brasil chega a 155, sendo 123 classificadas como Indicações de Procedência (IP) e 32 como Denominações de Origem (DO). Essas IGs desempenham um papel crucial na valorização dos territórios, na proteção do saber-fazer e no estímulo ao desenvolvimento econômico, especialmente para pequenos produtores e artesãos.
A história da arte figureira de Taubaté é rica e remonta ao século XVII, quando frades franciscanos chegaram à região durante a construção do Convento de Santa Clara. Foi nesse contexto que a confecção de presépios em argila começou a ganhar destaque. Essa tradição foi passada de geração em geração, com destaque para Maria da Conceição Frutuoso Barbosa (1866–1944), uma pioneira na modelagem de imagens sacras que moldou a identidade das figureiras.
“A IG proporciona um ambiente seguro para que os artesãos explorem novos mercados, agreguem valor ao que produzem e preservem a autenticidade do saber-fazer local. No caso das Figuras de Taubaté, estamos falando de uma tradição viva, que não só gera renda, mas também fortalece a identidade e abre portas para novas oportunidades de negócios”, explica Hulda Giesbrecht, coordenadora de Negócios de Base Tecnológica do Sebrae Nacional.
A produção de Taubaté é amplamente reconhecida por seus símbolos culturais, como o Pavão, que se tornou um ícone da arte figureira e do artesanato paulista desde 1979. Além disso, há registros oficiais e iniciativas de proteção, como a Lei Complementar nº 55/1994, que salvaguarda o patrimônio cultural local. A singularidade das peças se revela também na técnica de finalização, que utiliza o “azulão”, uma mistura de pó azul ultramar, goma-laca e álcool, conferindo a cada obra um toque especial e característico.
