Fiéis Superam Chuva e Criam Tapetes Coloridos de Corpus Christi
No Centro do Rio, fiéis enfrentam a chuva para celebrar a tradição de Corpus Christi, com 100 tapetes em homenagem ao centenário da Obra de Adoração Perpétua.
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
A chuva que caiu na madrugada de 4 de junho de 2026 trouxe um atraso, mas não conseguiu apagar a animação dos fiéis que se reuniram para a confecção dos tapetes da celebração de Corpus Christi no Centro do Rio de Janeiro. Essa festa tradicional é considerada uma das mais significativas do calendário litúrgico da Igreja Católica. Os participantes aguardaram por condições climáticas mais favoráveis antes de começarem a montagem, que utiliza materiais como serragem, borra de café e arroz. O sal grosso, por sua vez, é o ingrediente principal, sendo colorido com corantes para dar vida aos desenhos vibrantes que adornam o asfalto.
Neste ano, foram inscritos 100 tapetes, dispostos ao longo de 300 metros da Avenida Chile, em frente à Catedral Metropolitana de São Sebastião. Essa quantidade remete ao centenário da Obra de Adoração Perpétua, e, por isso, o tema de 2026 é “100ª Semana Eucarística: Eucaristia, unidade e missão - ‘Embora sendo muitos, formamos um só corpo’”.
Uma novidade deste ano foi a participação do Instituto Marielle Franco na montagem. O tapete criado por membros do Instituto trazia a imagem de um girassol, como se estivesse brotando da silhueta da vereadora Marielle Franco, que foi assassinada em março de 2018, junto com o motorista Anderson Gomes. Marinete da Silva, mãe de Marielle, compartilhou que essa participação foi um convite do cardeal do Rio, dom Orani Tempesta. Em 2026, os dez anos da morte da vereadora são uma data significativa.
Marinete, que vem de uma família católica, expressou a importância de participar pela primeira vez da confecção dos tapetes. “Vendo este Cristo vivo dentro da gente e mostrando para o mundo essa produção maior”, disse em entrevista à Agência Brasil, apontando que chegou um pouco depois das 4h da madrugada. “O tapete é uma tradição deste dia, e trazemos o Instituto Marielle Franco com muita honra e a família, porque Antônio, meu marido, está aqui com os jovens da Paróquia de Santa Rita”, completou.
Antônio Francisco da Silva Neto, pai de Marielle, também estava presente, apoiando na produção do tapete. Ana Gabriela Malta, gestora da Escola Dom Cipriano Chagas, comentou que o tema do tapete confeccionado com alunos e famílias era "Um só coração, unidos na providência". A escola atende 200 crianças, entre 3 e 11 anos, oriundas de dez comunidades em áreas de vulnerabilidade social na zona sul do Rio.
Apesar da chuva, o grupo se manteve firme. “Trabalho em equipe é isso. É muito amor envolvido. Nosso primeiro valor é: amo o que faço. Acho que todo mundo que está aqui, as famílias e as crianças, colocaram muito amor. Começamos a fazer o tapete às 8h30 e conseguimos finalizá-lo porque todos ajudaram um pouquinho”, relatou uma participante à Agência Brasil.
Rodrigo Lopes, de 12 anos, estava junto com seus pais ajudando na confecção de um tapete com o grupo da Paróquia Nossa Senhora das Dores, no Rio Comprido, zona norte da cidade. Para ele, essa experiência era uma novidade. “Estou adorando. São muitos detalhes, eu sou desenhista e foi um pouco mais fácil para mim”, compartilhou com entusiasmo.
