Festa Literária de Niterói Homenageia Lélia Gonzalez em 2026
A FLIN 2026 destaca a importância de Lélia Gonzalez, uma das pioneiras do feminismo negro, em sua programação rica e diversificada.
© Facebook/ Lélia Gonzalez
A edição de 2026 da Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) está prestes a começar, homenageando a renomada antropóloga, historiadora e filósofa Lélia Gonzalez. O evento ocorrerá de quinta-feira (13) até domingo (16) na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Lélia, conhecida por seu papel fundamental na fundação do Movimento Negro Unificado (MNU) e por ser uma das pioneiras do feminismo negro no Brasil, traz à tona um legado que ainda ecoa fortemente.
Ela é responsável por conceitos como amefricanidade e pretuguês, que ajudam a elucidar a importância das influências africanas e indígenas na formação da identidade brasileira e latino-americana.
O pensamento de Lélia serve como base para a programação deste ano, que tem como tema "Territórios das Palavras". Segundo os organizadores, seu legado será fundamental nas discussões que abrangem literatura, relações raciais, feminismos, memória, educação, oralidade, diversidade, políticas culturais e formação de leitores.
Jackson Jacques, coordenador artístico da FLIN, comentou: “A gente queria muito que a homenageada fosse uma mulher que dialogasse com temas importantes. Abordar questões de território, negritude e pensamentos contemporâneos ainda tão relevantes era essencial para nós. A partir de Lélia, chegamos ao tema dos Territórios das Palavras, que nos permite confluir ideias”.
Uma mesa dedicada a Lélia contará com a presença de Melina de Lima, neta da ativista, conforme revelou o coordenador artístico.
Jordão Pablo de Pão, diretor do projeto editorial Niterói Livros, também fala sobre a importância de se pensar em território junto com pertencimento e identidade. Ele destaca que esses conceitos caminham juntos: “Quando falamos de território e identidade, estamos nos referindo a pessoas que democratizaram o acesso ao conhecimento e às experiências”, afirmou Pão, que é um dos curadores da FLIN.
“É possível ser diverso e aproveitar essa diversidade. Esse é o grande ensinamento de Lélia”.
A proposta da FLIN é evidenciar que toda palavra tem raízes em um território que carrega memórias, afetos, ancestralidades, disputas e diversas formas de ver o mundo. Para Pão, a criação do "reino das palavras" na festa literária se traduz em narrativas diversas.
“A narrativa se dá por meio da história que uma avó conta, pelo cordel que é publicado, pelo fanzine que alguém cria porque tem menos recursos, ou ainda pelo grande livro que é amplamente reconhecido. A diversidade não está apenas na publicação, mas também na própria narrativa. É isso que nos interessa”, ele enfatizou.
Uma das características que tem moldado a FLIN ao longo dos anos é a oportunidade para que os visitantes participem de encontros significativos. “A FLIN tem ganhado contornos que refletem a vontade das pessoas de se encontrarem e dialogarem sobre livros, valorizando as publicações. Não é apenas sobre conhecer um grande nome, mas aprender, trocar experiências e divulgar ideias”, concluiu Jordão Pablo de Pão.
