Faraó dos Bitcoins: Confissão sobre Manipulação de Mercado
Glaidson Acácio dos Santos revela detalhes de esquema de R$ 38 bilhões em depoimento no Fantástico, levantando questões sobre suas práticas no mercado de criptomoedas.

Data: 07/09/2026, 11:06:01
Em um relato que veio à tona recentemente, Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o “Faraó dos Bitcoins”, e sua esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, compartilharam detalhes sobre o funcionamento do esquema que, segundo as autoridades, movimentou mais de R$ 38 bilhões e deixou cerca de 77 mil vítimas.
Esses depoimentos foram exibidos pelo programa Fantástico, da TV Globo, durante o julgamento que determinará se eles cometeram crimes contra o sistema financeiro. Glaidson se descreveu como uma “baleia” das criptomoedas, um termo utilizado para investidores que possuem um volume significativo de ativos, capaz de influenciar o mercado.
Embora o processo esteja se aproximando do seu desfecho, ainda paira uma dúvida: quanto realmente há na carteira de criptoativos do Faraó?
— Como “baleia”, eu consigo manipular outras criptomoedas. Entro em contato com outras “baleias” e proponho: ‘Olha, você aposta na queda, alavanca 10 vezes que vamos derreter o preço. Vamos despencar o preço de uma determinada criptomoeda’ — disse Glaidson.
O empresário, que está sob suspeita de crimes financeiros, apresentou-se de forma diferente na TV após cinco anos de prisão. Ele e Mirelis são acusados de liderar uma organização criminosa que operava um esquema bilionário de pirâmide financeira, disfarçado de investimentos em criptomoedas, através da empresa GAS Consultoria. Glaidson está preso desde 2021 e enfrenta ainda acusações de ter encomendado assassinatos de concorrentes em Cabo Frio, onde a financeira estava sediada.
Prometendo retornos acima do normal do mercado, a GAS atraiu uma quantidade enorme de investidores, incluindo empresas, artistas e jogadores de futebol, além de pessoas de menor poder aquisitivo que, na esperança de um grande retorno, acabaram fazendo empréstimos para investir. Na Justiça, cerca de 77 mil credores buscam quase R$ 3 bilhões em ressarcimento.
• Glaidson revelou um pouco mais sobre como operava:
— Eram contratos individuais. Como diz aquele velho ditado, “de grão em grão, a galinha enche o papo”. Meus funcionários chegavam a ir de helicóptero até São Paulo, levavam o dinheiro dos clientes em espécie, e as pessoas lá transferiam para minha carteira da GAS — explicou.
Por outro lado, Mirelis, esposa de Glaidson, não foi presa junto com ele em 2021. Após a operação policial, ela deixou o Brasil e se refugiou em Chicago, nos Estados Unidos. No entanto, foi capturada pela imigração americana três anos depois e deportada. Em seu depoimento à Justiça Federal, ela afirmou que não gerenciava a carteira de clientes. Embora seja acusada pelo Ministério Público Federal de dividir a liderança do esquema com o marido, ela refuta as alegações:
— Meu trabalho sempre foi estudar criptomoedas, multiplicar o dinheiro em criptomoedas e...
