Falece Zhu Rongji, ex-premiê da China, aos 97 anos
Zhu Rongji, conhecido por suas reformas econômicas, faleceu em Pequim, deixando um legado de crescimento e modernização na China.
12/08/2026 - 10h51
Atualizado há 6 minutos
---
Publicidade
Foi noticiado pela mídia estatal que Zhu Rongji, ex-primeiro-ministro da China, faleceu. Zhu, um reformista conhecido por sua franqueza e determinação, teve um papel crucial no impressionante crescimento econômico do país. Nos anos 1990, ele implementou mudanças significativas na indústria estatal e, posteriormente, guiou a China em sua adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A agência oficial Xinhua anunciou que Zhu faleceu em Pequim, por conta de uma doença, por volta das 11h do horário local nesta quarta-feira, dia 12. Ele tinha 97 anos.
Sua trajetória é marcada por desafios. Após ser enviado ao campo para realizar trabalhos manuais, punição por elogiar reformas em outros países comunistas, Zhu se tornou o premiê de 1998 a 2003, momento em que avançou com várias reformas.
O ponto aqui é que Zhu não hesitou em desafiar os conservadores do Partido Comunista e os líderes das estatais. Ele insistiu que as empresas estatais se tornassem mais eficientes e lucrativas. Isso, claro, resultou em milhões de demissões, mas também foi a chave para que a China superasse o Japão em 2010 e se tornasse a segunda maior economia do planeta, apenas atrás dos Estados Unidos.
Dando sequência às reformas de Deng Xiaoping, iniciadas em 1979, Zhu é lembrado pela sua habilidade e determinação em implementar mudanças históricas, como a entrada da China na OMC, um evento que a catapultou como a maior exportadora do mundo.
Essas reformas foram fundamentais para manter um crescimento econômico acima de 8% ao ano entre 2000 e 2010, com um pico impressionante de 14,2% em 2007.
Zhu, que havia atuado anteriormente como vice-premiê e se destacou ao conter a inflação por meio de controles de preços e cortes de crédito para estatais deficitárias, tornou-se conhecido por sua postura decidida. Nomeado premiê aos 69 anos, ganhou popularidade ao criticar abertamente as falhas e a corrupção de autoridades, além de assumir a responsabilidade quando o governo não cumpria suas promessas. O seu estilo exigente lhe rendeu os apelidos de Boss e Zhu Fengzi, ou “Zhu Louco”.
Em uma de suas declarações marcantes, ele disse: “Preparei 100 caixões aqui: 99 para autoridades corruptas e um para mim”, uma frase que ecoou nas páginas do People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês.
Zhu ocupava a terceira posição na hierarquia do partido, logo atrás do presidente Jiang Zemin e de Li Peng, que era o presidente do Congresso Nacional do Povo. Apesar de sua posição, era visto como um técnico sem uma base sólida de poder, o que o levava a se queixar sobre a desobediência de alguns funcionários às suas ordens.
Continua após a publicidade.
Ele se destacou como vice-premiê nos anos 1990 ao implementar medidas rigorosas para controlar a inflação, desafiando a resistência de líderes locais, um padrão que se repetiria durante sua luta contra a resistência conservadora em relação ao ritmo das reformas.
Zhu liderou os esforços para garantir a entrada da China na OMC, após longas negociações que começaram nos anos 1980. Essa conquista não apenas solidificou o compromisso nacional com o livre comércio, mas também lhe proporcionou uma ferramenta para pressionar autoridades locais a abandonarem a proteção a empresas favorecidas.
A campanha enfrentou dificuldades quando ele viajou a Washington em 1999, levando propostas de abertura comercial.


