Exposição no Rio: 70 Anos de Cinema de Ruy Guerra

Exposição no Rio: 70 Anos de Cinema de Ruy Guerra

A Retrospectiva Ruy Guerra na Caixa Cultural destaca 17 longas e documentários até 16 de outubro de 2026.

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© Monica Ramalho/Divulgação

Uma carreira longa e repleta de conquistas, tanto aclamadas pela crítica quanto apreciadas pelo público. A Retrospectiva Ruy Guerra – Uma Vida de Cinema revela os destaques dessa trajetória por meio de 17 longas-metragens do diretor e dois documentários que exploram sua vida e obra. A mostra pode ser visitada gratuitamente até o dia 16 de outubro na Caixa Cultural Rio de Janeiro, localizada no coração da cidade.

Destaques da Exposição

Na programação, os espectadores poderão apreciar filmes que abrangem quase sete décadas de cinema, começando com o primeiro longa-metragem de Ruy, Os Cafajestes (1962), até sua obra mais recente, A Fúria (2024). Este último filme conclui a chamada Trilogia dos Fuzis, que teve início com Os Fuzis (1964) e continuou com A Queda (1978). Essas três obras, produzidas ao longo de seis décadas, têm em comum um único personagem.

“São três filmes sobre um personagem, o Mário, que é um homem de uma retidão muito grande e, por isso, acaba sendo muito abalado na vida”, comentou o curador e cineasta Aristeu Araújo durante uma entrevista à Agência Brasil.

Filmes Raros e Restaurados

O público também terá a chance de ver um filme raro em versão restaurada. Ternos Caçadores (1969), uma produção francesa que, durante décadas, esteve praticamente fora do alcance do público brasileiro, é uma das obras menos vistas da filmografia de Ruy Guerra, mas agora ressurgirá em alta definição 4K.

“Durante o desenvolvimento do projeto, descobrimos que o filme foi feito na França na década de 1960 e dirigido pelo Ruy. Estava quase perdido e não era exibido há muito tempo, mas foi restaurado em 4K e vamos exibi-lo, algo que aconteceu em raras ocasiões. Ele foi mostrado em Curitiba e aqui no Rio em celebração ao aniversário de Ruy Guerra em agosto”, explicou Araújo, acrescentando que existia uma cópia muito deteriorada em película no Brasil, que mal podia ser assistida, o que explicava sua ausência nas exibições. “Agora, a versão restaurada é de excelente qualidade.”

“O filme teve um bom desempenho, pelo que o Ruy comenta, no seu lançamento na França e na Espanha, mas aqui no Brasil foi exibido muito pouco. É uma oportunidade interessante para o público”, completou.

Outro filme importante na carreira do cineasta, Kuarup, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes, também enfrenta problemas com a qualidade das cópias, e não há nenhuma versão digital que possa ser exibida. “Nós o exibimos em Curitiba, mas com um aviso ao público. Eu sempre informava antes das exibições que era a única cópia que poderíamos mostrar. Agora, no Rio, teremos a chance de apresentá-lo em película”, afirmou, ressaltando que a cópia em película está guardada no Arquivo Nacional.

Documentários em Destaque

Os documentários incluídos na mostra são O Homem que Matou John Wayne (2015), de Bruno Laet e Diogo Oliveira, onde Ruy Guerra encontra de forma inesperada o ator americano em uma viagem poética pelas ideias do cineasta. O outro documentário, Tempo Ruy (2021), de Adilson Mendes, explora o trabalho do cineasta, escritor, ator e dramaturgo.

>> Confira aqui a programação completa da mostra

De acordo com Araújo, a intenção sempre foi reunir na mostra todos os filmes de Ruy Guerra, criando assim uma celebração de sua notável contribuição ao cinema.

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