Experiência Imersiva na Aldeia Tupiniquim em Comboios (ES)
Participantes da 6ª Teia Nacional vivenciam a cultura Tupiniquim e a preservação ambiental na península de Comboios.
A chegada dos visitantes acontece pelo rio, onde uma jornada de 400 metros os leva até a margem que dá acesso à península que abriga a Aldeia Tupiniquim de Comboios. Foi nessa rica combinação de cultura e saberes que, na tarde de quarta-feira (20), os participantes da 6ª Teia Nacional se envolveram no Projeto Memória Das Águas: Vivências Tupinikim na Aldeia Comboios. Essa experiência imersiva oferece uma visão profunda da realidade das famílias da comunidade, destacando suas ações em prol da preservação, conscientização e manutenção de tradições.
Atualmente, cerca de 950 pessoas habitam os 24 quilômetros da península. Hudson Coutinho, vice-presidente da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios (AITC), comenta que diversas iniciativas estão sendo desenvolvidas para fortalecer a cultura local, valorizar os artesanatos e reafirmar a identidade indígena. “Os trabalhos que realizamos aqui estão intimamente ligados à questão do lixo, do reflorestamento e da preservação do manguezal. Esses temas já eram abordados pelos nossos ancestrais. Eles nos ensinaram a cuidar do meio ambiente e a compreender a importância desse relacionamento, que nos nutre enquanto povo indígena, ancestral e defensor das florestas,” explica Hudson.
Receber os visitantes da 6ª Teia é um momento de grande alegria para Hudson, que destaca o tema desta edição: Pontos de Cultura pela Justiça Climática. “Como posso proteger aquilo que não conheço? Trazer vocês para o nosso território é uma felicidade imensa, pois conseguimos mostrar a beleza, a riqueza e a maravilha deste lugar, que é valioso não apenas para nós, mas para todos ao nosso redor.”
O projeto inclui momentos de escuta, apresentações culturais, como o Coral do Curumins, formado pelas crianças da aldeia, e caminhadas pelo território. Parte do grupo navegou pelo Rio Comboios até um dos extremos da terra indígena, nas proximidades do manguezal. A outra metade dos visitantes explorou a praia que abriga a Reserva Biológica de Comboios (Rebio Comboios), um importante local de desova das tartarugas-de-couro no Brasil. Essa é a maior espécie de tartaruga marinha do mundo e está classificada como criticamente em perigo no país.
“Ao conhecer a comunidade, percebemos a importância dessa visita. Trazemos um grupo de trabalho que tem a missão de construir políticas públicas de cultura para os povos indígenas. Essa tarefa não é simples,” afirma Karina Gama, diretora de Promoção da Diversidade Cultural do MinC. “Quando falamos de cultura, falamos de natureza. Estamos tratando de direitos culturais, que são parte dos direitos humanos e essenciais para a promoção da dignidade.”
