Expectativa de Inflação em 2023 Aumenta para 5,11%
A previsão do IPCA sobe pela décima terceira vez, refletindo a pressão dos preços dos combustíveis devido à guerra no Oriente Médio.

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a principal referência oficial da inflação no Brasil, foi ajustada de 5,09% para 5,11% em 2023. Esta atualização foi divulgada no Boletim Focus em 8 de junho de 2026, uma pesquisa semanal do Banco Central que captura as expectativas de instituições financeiras sobre indicadores econômicos.
A guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente os preços dos combustíveis, contribuindo para a elevação da inflação. Este é o décimo terceiro aumento consecutivo na previsão do IPCA, que agora ultrapassa o intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central.
A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, estabelecendo um limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%.
Em abril, o aumento nos preços dos alimentos também pressionou a inflação oficial, que fechou em 0,67%. O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,39%, ainda dentro do teto da meta de inflação. A divulgação da inflação de maio está prevista para a próxima sexta-feira, 12 de junho.
Para 2027, a projeção de inflação subiu de 4,02% para 4,03%. Já para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,65% e 3,5%, respectivamente.
O Banco Central utiliza a taxa Selic como principal ferramenta para controlar a inflação. Atualmente, a Selic está fixada em 14,5% ao ano, conforme decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, em abril, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, apesar das incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio.
Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, um patamar não visto há quase 20 anos. O Copom, ao retomar os cortes, o fez em um cenário de queda da inflação, mas a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços de combustíveis e alimentos, torna a atuação do Copom mais desafiadora.
Na ata da reunião, o Copom não apresentou indícios claros sobre futuras movimentações da taxa de juros, destacando que está atento ao conflito e aos possíveis efeitos prolongados sobre a inflação.
O próximo encontro do Copom para discutir a Selic está agendado para os dias 16 e 17 de junho.
Nesta edição do Focus, a expectativa dos analistas de mercado para a taxa Selic ao final de 2026 aumentou de 13,25% para 13,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic caia para 11,5% e 10% ao ano, respectivamente, estabilizando em 10% ao ano em 2029.
Quando o Copom decide elevar a Selic, a intenção é conter a demanda excessiva, refletindo nos preços. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, mas podem dificultar o crescimento econômico. Por outro lado, a redução da Selic visa tornar o crédito mais acessível, estimulando a produção e o consumo.