Expansão da Agricultura na Mata Atlântica: 11 Milhões de Hectares

Expansão da Agricultura na Mata Atlântica: 11 Milhões de Hectares

Estudo do MapBiomas revela aumento da agricultura em 11 milhões de hectares na Mata Atlântica em 41 anos, destacando desafios de desmatamento.

•3 min de leitura•Fonte original

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Em um período de 41 anos, a Mata Atlântica sofreu uma perda significativa, acumulando quase 10 milhões de hectares. Em contrapartida, a área dedicada à agricultura aumentou em 11 milhões de hectares, conforme um levantamento realizado pelo MapBiomas e divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, que também marca o Dia da Árvore. O estudo revela que, atualmente, um em cada quatro hectares de vegetação nativa presentes na Mata Atlântica é composto por áreas que começaram a se regenerar após terem sido desmatadas desde 1985.

Esses dados fazem parte da Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil, elaborados pelo MapBiomas, uma rede colaborativa que envolve universidades, organizações não governamentais (ONGs) e empresas de tecnologia. O foco dessa iniciativa é monitorar as mudanças na cobertura e uso da terra no Brasil, abrangendo informações que vão de 1985 a 2025.

Desde 1985, a Mata Atlântica perdeu cerca de 9,7 milhões de hectares de vegetação madura, que são aquelas áreas identificadas como vegetação nativa desde então. Em contrapartida, o bioma também viu um crescimento de mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, que são regiões que voltaram a se desenvolver após o desmatamento.

No entanto, é importante observar que, mesmo com esse crescimento, o desmatamento tem afetado cada vez mais as áreas regeneradas. Entre 2021 e 2025, foram desmatados 1,2 milhão de hectares na Mata Atlântica, incluindo 700 mil hectares de vegetação secundária e 500 mil hectares de vegetação madura. Isso significa que 60% da supressão registrada nos últimos cinco anos atingiu áreas que já estavam em processo de recuperação.

Por outro lado, os números também indicam uma redução na supressão da vegetação nativa ao longo do tempo. Desde os anos 2000, a área desmatada de vegetação nativa ficou abaixo de 2 milhões de hectares a cada período de cinco anos. De acordo com o MapBiomas, apenas os estados do Rio de Janeiro e São Paulo não apresentaram perda de vegetação nativa nos últimos 41 anos.

Natália Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, ressalta que, embora haja um avanço positivo com a recuperação de áreas que perderam sua vegetação nativa, é crucial evitar o desmatamento nesse bioma, que abrange 15 estados e é considerado patrimônio nacional pela Constituição Federal.

“A regeneração desempenha um papel vital na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio de restauração ou pela recuperação natural de áreas degradadas”, enfatizou Natália. Ela também destacou a importância de prevenir novas perdas de vegetação nativa, tanto madura quanto secundária, especialmente em um bioma que já é muito fragmentado e que enfrenta pressões históricas devido à ocupação humana.

Com uma área total de cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, a Mata Atlântica é o bioma brasileiro que possui a menor proporção de vegetação nativa. Em 2025, essa cobertura representava 32% de seu território, enquanto a agropecuária ocupava 63%. Os dados ainda revelam que a área dedicada à agricultura corresponde a aproximadamente 20,5 milhões de hectares, o que equivale a 19% do total do bioma.

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