
Ex-chefe da Abin, próximo a Bolsonaro, é preso nos EUA
Alexandre Ramagem, ex-chefe da inteligência brasileira, foi detido em Orlando por imigração irregular, levantando questões sobre sua extradição.
Reprodução Redes Sociais
Na última segunda-feira, Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e antigo deputado federal, foi detido em Orlando, na Flórida, pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, conhecido como ICE. O nome dele constava na base de dados do ICE, mas, até o momento, não se sabe ao certo para onde ele foi levado. Conforme reportado pelo jornal O Globo, Ramagem foi encaminhado para um centro de detenção na própria cidade de Orlando.
Essa operação é resultado de uma colaboração entre as autoridades do Brasil e dos EUA, o que foi confirmado pela Polícia Federal (PF) brasileira. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, deixou claro que "Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular". Vale lembrar que Ramagem havia fugido para os Estados Unidos em setembro, atravessando a fronteira com a Guiana, após ser condenado a 16 anos de prisão e perder seu mandato por tentativa de golpe de Estado.
O pano de fundo dessa situação envolve conspirações que foram comprovadas pela justiça brasileira, nas quais Ramagem, junto a Jair Bolsonaro e outros membros do seu governo, atuou para tentar impedir a transição de poder após a vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2022. Durante seu tempo nos EUA, ele se estabeleceu em um condomínio de luxo na Flórida, onde, com um atestado médico que o respaldava, gravava vídeos e votava à distância nas sessões da Câmara.
Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil fez um pedido formal para a extradição de Ramagem. Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça brasileiro informou ao STF que o pedido de extradição já havia sido enviado ao governo dos EUA. O ministro Alexandre de Moraes também determinou que o nome de Ramagem fosse adicionado à lista da Interpol, o que facilitou sua detenção.
Além disso, o senador Jorge Seif, do Partido Liberal, apresentou um pedido de concessão de asilo político para Ramagem na embaixada norte-americana em Brasília. Esse pedido já conta com o apoio de 21 senadores e 12 deputados brasileiros. A situação continua a evoluir e acompanhar os desdobramentos será fundamental, tanto para o Brasil quanto para as relações internacionais envolvidas.