Evan Gershkovich Revela Detalhes de Sua Prisão na Rússia
O jornalista americano compartilha sua experiência angustiante ao ser detido pelo FSB e sua luta por liberdade após 16 meses na prisão.
Data de publicação original: 29/09/2026, 17:00. Neste momento, o jornalista americano Evan Gershkovich compartilha sua experiência sobre o dia em que foi detido por homens encapuzados. Em uma entrevista ao programa Today da Radio 4, ele revelou que percebeu que estava sendo alvo de uma armadilha ao ser abordado por agentes do FSB, que o acusaram de espionagem.
Gershkovich recordou o instante em que se deu conta de que havia sido "atraído para uma cilada". Ele estava em um restaurante em 2023, quando um grupo de homens mascarados se aproximou dele e o deteve. "Não estou sendo interrogado, não estou sendo torturado... Estou sendo acusado de espionagem", comentou, expressando um misto de alívio e desespero. "Eles me armaram e fabricaram esse caso para que eu pudesse ser um valioso refém - uma peça em um jogo maior."
Agora com 34 anos, Gershkovich foi condenado a 16 anos de prisão, mas acabou sendo libertado 16 meses depois, como parte de um acordo de troca de prisioneiros bastante publicizado. Desde 2017, ele residia na Rússia e atuava como correspondente do Wall Street Journal em Moscou. Atualmente, ele está baseado em Berlim, na Alemanha, e tanto ele quanto sua empresa sempre defenderam que as acusações contra ele eram infundadas.
No dia de sua prisão, Gershkovich estava em Yekaterinburg, a cerca de 1.600 km a leste de Moscou, se encontrando com alguém que acreditava ser uma fonte para uma de suas matérias. Eles estavam sentados em uma área de refeição quase vazia quando um grupo de cerca de seis homens mascarados entrou e disse: "Acho que reservamos aquela mesa." Essa frase, embora estranha, o deixou paralisado, como ele mesmo refletiu.
Ao se levantar, foi informado de que estava sob a custódia do FSB, a poderosa e temida agência de segurança interna da Rússia. "É nesse momento que você percebe que a situação é realmente grave... Quando é o FSB, você sabe que há um planejamento por trás de tudo isso."
E quanto ao homem que ele estava encontrando? Gershkovich o viu desaparecer na multidão. Logo após sua detenção, ele se deu conta de que o fato de não estar sendo interrogado ou torturado - táticas comuns da segurança russa contra supostos espiões - provavelmente significava que estavam lidando com ele mais como uma mercadoria do que como um verdadeiro inimigo do Estado.
"Eu tive um momento curioso - uma sensação de alívio me invadiu", contou. "Percebi que não estavam me tratando como um espião de verdade. Eles me armaram e criaram essa situação para que eu fosse um refém valioso, uma peça em um jogo maior. Isso significa que vai levar um tempo, mas não ficarei aqui por 12 a 20 anos."
Essa compreensão ajudou Gershkovich a manter-se "estável e disciplinado na prisão" e também lhe deu uma perspectiva única sobre o que poderia acontecer em seguida - uma de suas previsões era a troca de prisioneiros. "Eu supus que isso iria gerar um grande alvoroço, que causaria um clamor global. Quero dizer, sou um correspondente estrangeiro do Wall Street Journal", comentou, e ele estava certo. Veículos de mídia ao redor do mundo noticiaram seu caso, seu rosto apareceu em um outdoor na Times Square, e o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou que trazer Gershkovich de volta era sua "maior prioridade".
O jornalista acreditava que essa era parte do plano de Moscou - ter um prisioneiro de alto perfil que pudesse ser usado como uma peça de barganha.


