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Eurasia: Brasil Necessita de Ajuste Fiscal Urgente
Analista do Eurasia Group destaca que ajuste fiscal é crucial para estabilidade econômica, independentemente do vencedor das eleições.
Reprodução Redes Sociais
26/09/2026 13h53 Atualizado 26/09/2026 13h53
Independentemente de quem vença as eleições presidenciais, o Brasil enfrentará a necessidade de um ajuste fiscal, afirma Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group.
O verdadeiro desafio, na prática, reside na extensão e na profundidade desse ajuste. A questão que se coloca é: será suficiente para que o Banco Central (BC) consiga reduzir os juros de forma mais expressiva?
Garman observa: "No próximo governo, algum tipo de ajuste nas contas fiscais será inevitável. O debate gira em torno do tamanho e do escopo desse ajuste, e se será robusto o bastante para possibilitar a queda dos juros".
Ele menciona que o programa do senador Flávio Bolsonaro [PL] propõe uma reforma fiscal abrangente, sugerindo a implementação de um teto para gastos, metas de déficit e mecanismos que ajudem a manter as despesas sob controle. Por outro lado, o governo Lula reconhece que a situação atual não é sustentável.
Ele também acredita que Flávio Bolsonaro pode ter uma vantagem na implementação desse ajuste, pois, após sua eleição, os investidores provavelmente lhe concederiam um benefício da dúvida. Garman ressalta que, nesse cenário, tanto os juros quanto o dólar devem apresentar uma queda significativa.
A Eurasia prevê que, logo após as eleições, a cotação do dólar deve ficar entre R$ 4,50 e R$ 5,00. "Isso facilitaria a entrada em um ciclo virtuoso, onde a reforma fiscal geraria confiança e abriria espaço para que o BC reduzisse os juros."
Por outro lado, caso Lula seja reeleito, Garman acredita que seu governo também será pressionado a realizar um ajuste fiscal. "Nos bastidores, há um reconhecimento de que algum ajuste será necessário. No entanto, não se espera que esse ajuste seja tão abrangente quanto o que poderia ocorrer sob um governo Flávio."
É certo que algum ajuste terá que ser feito, mas Lula enfrentou desafios de credibilidade ao longo de seu mandato. Se não agir, a economia pode se deteriorar ainda mais, e ele enfrentará sérias dificuldades políticas em 2027. O custo, tanto econômico quanto político, de não tomar medidas, tende a aumentar rapidamente. A questão aqui é se ele conseguirá recuperar a credibilidade ou não.
Garman ainda acrescenta que, embora as eleições e suas implicações para a política fiscal estejam no foco dos investidores internacionais no curto prazo, o Brasil possui oportunidades bastante promissoras no médio e longo prazo. Ele destaca que, no contexto global atual, os ativos brasileiros têm potencial para se valorizar.
"O Brasil é uma potência no agronegócio, possui uma grande riqueza mineral - sendo a segunda maior reserva de terras raras do mundo - e é um player importante em energia, com o crescimento da produção de petróleo e recursos em energia limpa. Portanto, se conseguirmos organizar nossa situação fiscal, poderemos nos beneficiar de ventos favoráveis que vêm de fora."
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