
EUA Preparam Indiciamento de Raúl Castro em Caso de 1996
O Departamento de Justiça dos EUA pode formalizar acusações contra Raúl Castro, ex-líder cubano, relacionadas ao incidente de 1996 envolvendo aviões abatidos.
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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos está se preparando para indiciar o ex-líder cubano Raúl Castro, de 94 anos, nos próximos dias. Essa possível ação judicial depende da aprovação de um grande júri, e ocorre em um contexto de crescente pressão dos EUA sobre Cuba, que já inclui um bloqueio de petróleo e sanções.
As acusações estão relacionadas ao trágico incidente de 1996, quando dois aviões operados pelo grupo 'Irmãos à Resgate' foram abatidos, resultando na morte de quatro pessoas a bordo. Fontes não identificadas do Departamento de Justiça informaram que a acusação pode ser formalizada já na próxima quarta-feira.
Raúl Castro, que deixou a liderança do Partido Comunista Cubano em 2021, governou Cuba por 15 anos, sucedendo seu irmão, Fidel Castro. Durante uma coletiva de imprensa, o presidente Donald Trump comentou que a decisão sobre o indiciamento caberia ao DOJ, enfatizando a necessidade de ajuda para Cuba, que enfrenta um estado crítico, conforme admitido pelo ministro de Energia da ilha.
O governo cubano, por sua vez, defende que o grupo 'Irmãos à Resgate' violou repetidamente o espaço aéreo cubano, enquanto a Organização Internacional da Aviação Civil concluiu que o ataque ocorreu em águas internacionais. Recentemente, o procurador-geral da Flórida reabriu uma investigação sobre o suposto envolvimento de Raúl Castro no incidente, e o governador Ron DeSantis elogiou as possíveis acusações como 'muito atrasadas'.
Para que as acusações sejam formalizadas, os promotores precisarão convencer um grande júri de que há evidências suficientes de um crime. O procurador-geral interino, Todd Blanche, ainda não confirmou as informações sobre o indiciamento iminente.
Atualizado há menos de 1 hora
Uma acusação revelada publicamente imputa a Castro e a outros a conspiração para matar americanos, entre outras acusações. "Durante quase 30 anos, 30 anos, as famílias de quatro americanos assassinados esperaram por justiça", afirmou o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, em Miami. As tensões entre Washington e Havana intensificaram-se nos últimos meses, desde que as forças norte-americanas derrubaram o aliado regional de Cuba, o presidente venezuelano Nicolás Maduro, numa operação militar, e impuseram depois um bloqueio energético severo à nação insular, que já enfrentava dificuldades económicas. A "Brothers to the Rescue" começou a operar no início da década de 1990, após a emigração inesperada de 125.000 cubanos para os Estados Unidos. Fundada pelo emigrante José Basulto, tinha como objetivo ajudar os refugiados no estreito da Florida, lançando mantimentos a partir de pequenos aviões e alertando a Guarda Costeira dos EUA para localizar os cubanos no mar que fugiam da ilha. De acordo com um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, os pilotos dos Cessnas não receberam qualquer aviso antes de serem abatidos pelos jatos da Força Aérea. Castro terá dado a ordem para abrir fogo contra as aeronaves. Parentes das vítimas, legisladores norte-americanos e membros da comunidade de exilados cubanos nos Estados Unidos têm pressionado há anos para que Castro seja levado a tribunal. Embora se tenha aposentado em 2021 como líder do Partido Comunista de Cuba, acredita-se amplamente que exerça poder nos bastidores, o que é sublinhado pela proeminência do seu neto, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, que anteriormente se reuniu secretamente com Rubio. "A natureza simbólica é absolutamente crucial", afirmou Lindsey Lazopoulos Friedman, ex-procuradora do Ministério Público dos EUA em Miami que tratou de casos de segurança nacional e crimes envolvendo cubanos. "Embora Raúl Castro provavelmente permaneça e morra em Cuba, é possível utilizar a acusação como um ponto de pressão, uma vantagem tática, para obter outras concessões, como a libertação de prisioneiros ou para manter a Rússia afastada", afirmou.
Atualizado há 7 horas
Raúl Castro sucedeu ao seu irmão Fidel como presidente de Cuba e supervisionou uma aproximação histórica com os Estados Unidos em 2015, sob a presidência de Barack Obama, que Trump mais tarde reverteu. A administração do presidente norte-americano Bill Clinton alterou as regras de imigração para dissuadir os cubanos de se dirigirem para norte em barcos precários e improvisados. Entretanto, a Brothers to the Rescue, também conhecida pelo seu nome espanhol Hermanos al Rescate, continuou a voar em direção ao espaço aéreo cubano e a provocar Havana. A 24 de fevereiro de 1996, três aviões que transportavam membros da organização "Brothers to the Rescue" entraram numa zona próxima do paralelo 24, a pouca distância a norte de Havana e de alguns dos alvos de maior importância de Cuba. Caças cubanos abateram dois dos Cessnas civis desarmados dos exilados, matando os quatro homens a bordo. Um terceiro avião, que transportava o líder da organização, escapou por pouco. No entanto, não há indícios de que Castro venha a ser detido pelos EUA num futuro próximo. Assumiu a presidência em substituição do seu irmão mais velho, Fidel Castro, que se encontrava doente, em 2006, antes de passar o poder a um leal e de confiança, Díaz-Canel, em 2018.


