EUA Cancelam Foto do G20 Após Protestos Europeus Contra Lavrov
Decisão dos Estados Unidos de cancelar sessão fotográfica do G20 reflete tensões diplomáticas com a Rússia e a resistência de ministros europeus.
Na última sexta-feira, os Estados Unidos decidiram cancelar uma fotografia em grupo que reuniria os ministros dos Negócios Estrangeiros das 20 maiores economias do mundo, o G20. A decisão foi tomada após vários diplomatas europeus se recusarem a posar ao lado do ministro russo, Sergey Lavrov, chegando até a ameaçar deixar a sala.
Marco Rubio, o secretário de Estado dos EUA, optou por cancelar a sessão fotográfica para evitar mais polêmicas, segundo duas fontes norte-americanas que preferiram não se identificar, dada a delicadeza da situação.
Ao iniciar as discussões, Rubio se mostrou otimista, expressando a expectativa de que a reunião seria "produtiva". “Estamos em um momento crítico, que eu classificaria como um momento de escolha, não apenas para o meu país, os Estados Unidos da América, mas, francamente, para o mundo”, disse ele.
Ele destacou que estamos enfrentando uma série de crises econômicas e geopolíticas interligadas, muitas das quais representam "ameaças sérias às bases essenciais da ordem econômica mundial".
O cancelamento da tradicional foto de família trouxe à tona as tensões dentro do G20, especialmente em um contexto onde os diplomatas lidam com negociações desafiadoras sobre temas como a guerra na Ucrânia, o conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, as tarifas norte-americanas e as disputas no mar da China Meridional.
O vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros da Polônia, Radosław Sikorski, defendeu que a decisão dos EUA foi “a escolha certa”, acrescentando em Atlanta que não era “o único que não queria ser fotografado com Lavrov”.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, comentou que “não há normalidade com a Rússia”, mas que é crucial “debater as divergências à mesa”, conforme reportou a agência de notícias alemã dpa. Ele também ressaltou que “não se deve enviar sinais falsamente otimistas”.
Antes mesmo da controvérsia sobre a fotografia, já havia uma certa hesitação entre os países do G20 em relação ao convite feito à Rússia, especialmente em um momento de intensificação dos ataques à Ucrânia.
As tensões se agravaram ainda mais após Trump ter decidido não aplicar novas sanções a Moscovo, além de restringir temporariamente o apoio logístico e de informações a Kiev, o que complicou ainda mais as relações entre os Estados Unidos e a Ucrânia.