
Estudo Revela Efeito Antidepressivo da DMT da Ayahuasca
Uma única dose do composto ativo da ayahuasca reduziu de forma significativa os sintomas de depressão na fase inicial de um ensaio clínico, indica um novo estudo
A dimetiltriptamina (DMT), o principal componente psicoativo da ayahuasca, demonstra potencial antidepressivo, de acordo com um estudo recente publicado na revista Nature. Pesquisadores do Imperial College London realizaram um ensaio clínico que revelou a eficácia da DMT em aliviar sintomas de depressão. A administração intravenosa da DMT resulta em uma meia-vida curta, cerca de cinco minutos, permitindo que as sessões terapêuticas sejam mais curtas e potencialmente mais acessíveis aos pacientes.
O ensaio, um estudo clínico de fase 2a, visa fornecer evidências preliminares sobre a eficácia do medicamento e identificar a dose mais eficaz. Com 34 participantes que viviam com depressão por uma média de 10,5 anos, o estudo dividiu os participantes em dois grupos: 17 receberam um placebo e 17 a substância ativa. Após a administração de 21,5 miligramas de DMT ou placebo, acompanhados de psicoterapia, os resultados mostraram uma redução significativa nos sintomas depressivos em comparação ao grupo placebo, com efeitos mantidos por até três meses.
Os pesquisadores observaram que a DMT foi bem tolerada, com efeitos colaterais leves a moderados, sendo a dor no local da injeção a mais comum. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de mais estudos, pois experiências negativas durante o episódio psicadélico podem ser um risco para alguns pacientes. James Stone, professor de psiquiatria, enfatiza que é crucial entender a frequência e a gravidade desses efeitos adversos.
A Organização Mundial da Saúde estima que 332 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, com mais de 25 milhões na Europa. Embora os tratamentos comuns incluam antidepressivos e psicoterapia, muitos pacientes não alcançam melhorias adequadas ou enfrentam efeitos colaterais indesejáveis com os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Os autores do estudo destacam a importância de novas abordagens terapêuticas, como a DMT, para tratar essa condição prevalente.
