Estudantes relatam violência política nas escolas após eleições

Estudantes relatam violência política nas escolas após eleições

Incidentes em Itajaí e no DF revelam a crescente tensão entre jovens após resultados eleitorais, destacando a intolerância nas instituições de ensino.

•2 min de leitura•Fonte original

© Valter Campanato/Agência Brasil

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra dois estudantes em Itajaí, Santa Catarina, usando a bandeira do Brasil como uma espécie de capa enquanto agrediam colegas que vestiam roupas vermelhas dentro da escola. A gravação foi compartilhada por uma testemunha que relata que os meninos, aparentando ter cerca de 15 anos, também proferiram ofensas verbais, mencionando o programa Bolsa Família de forma negativa.

Em um episódio separado no Distrito Federal, um estudante de 16 anos contou que começou a ser perseguido na escola após declarar que votaria em Flávio Bolsonaro, a ponto de trocar de instituição de ensino para tentar escapar da situação.

Os incidentes em Itajaí e no Distrito Federal são apenas alguns dos muitos relatos de violência no ambiente escolar que têm ganhado destaque nas redes sociais nas últimas semanas, especialmente após o resultado das eleições. A tensão parece ter aumentado consideravelmente nesse período.

Em Araguari, estudantes de medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac) também foram protagonistas de episódios de agressão, insultando colegas que receberam bolsas de estudo por terem votado em Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, ofensas foram direcionadas a alunos que vendiam trufas e outros produtos para ajudar nas suas despesas.

A Imepac se manifestou em uma nota, repudiando “qualquer manifestação de intolerância ou discriminação, seja por convicções políticas ou por condição socioeconômica”.

Fora do ambiente escolar, a disputa política também tem impactado crianças que ainda não têm direito a voto. Em Fortaleza, um vídeo da influenciadora Valéria Diniz gerou grande repercussão. Durante um encontro em um bar com amigas, ela foi abordada por Matheus, um menino de 9 anos, autista, que vendia balas para ajudar sua avó nas despesas.

Enquanto filmava, Valéria questionou o garoto sobre em quem a família dele votou. Ele respondeu que era Lula. Em seguida, ela pediu que ele fizesse o gesto do L, e, ao fazê-lo, ela e suas amigas começaram a rir e se recusaram a comprar as balas. O vídeo foi postado por Valéria com a legenda: “Vai na mamãe e manda ela fazer o L”. Vale ressaltar que Valéria havia declarado seu voto em Flávio Bolsonaro.

Matheus foi criado pela avó desde a morte da mãe e vive na periferia de Fortaleza. Após a divulgação do vídeo, um grupo de motociclistas e diversos usuários das redes sociais se mobilizaram para oferecer ajuda à família de Matheus.

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