Estudantes da UFF mobilizam protesto em apoio a Lula

Após a eleição, alunos da UFF se reúnem em Niterói contra os riscos à educação pública, demonstrando a urgência de um diálogo democrático.

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Estudantes da UFF mobilizam protesto em apoio a Lula
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O abalo e o espanto precisam se transformar em movimento. Essa frase impactante estava estampada no cartaz que estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) usaram para convocar um protesto em 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições. O chamado, publicado nas redes sociais pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e pela Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, ambos do curso de direito, tinha como objetivo canalizar a angústia gerada pelo resultado das urnas. Assim, nasceu uma passeata que reuniu centenas de pessoas em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em uma chuvosa noite de segunda-feira. Moradores deixaram seus prédios e transeuntes se uniram aos estudantes na caminhada, que passou pela reitoria da UFF, situada no bairro de Icaraí, antes de retornar à Faculdade de Direito, no Ingá. O protesto começou a ser gestado na noite de domingo (4), após a divulgação dos resultados. O senador Flávio Bolsonaro (PL) havia recebido 47% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula ficou com 45%. Esse placar gerou preocupação entre os estudantes, que viam Flávio como uma ameaça à educação. "A proposta dele era retirar as universidades do Ministério da Educação e transferi-las para o de Ciência e Tecnologia, que possui um orçamento menor", explica Valentina Cruz, universitária e diretora do Centro Acadêmico de Direito. De fato, essa proposta estava presente no plano de governo do candidato do PL. Para Valentina, era evidente a urgência de reagir ao resultado e promover uma mobilização por diálogo dentro da universidade. "A vitória de Flávio significaria, sem dúvida, cortes em todas as áreas das universidades, desde a infraestrutura até o auxílio permanência. Isso é um roteiro bem conhecido", avaliou Valentina, referindo-se ao governo de Jair Bolsonaro, que foi de 2019 a 2022. Simão Gabriel Adorno, membro da atlética do direito, também se recorda de que a reação dos estudantes foi influenciada pelas experiências recentes nas universidades públicas durante o primeiro mandato de Jair Bolsonaro. Ele destaca que a UFF foi uma das primeiras federais a sofrer cortes, e isso ocorreu sob a alegação de promover "balbúrdia", como disse o então ministro da Educação, Abraham Weintraub. O ex-presidente reforçou as críticas do MEC, chegando a chamar os universitários de "idiotas úteis" e "massa de manobra". Naquela época, os jovens protestaram, mas não conseguiram impedir o contingenciamento de até 30% das verbas, o que impactou diretamente o funcionamento das instituições e as bolsas de pesquisa, essenciais para muitos estudantes, especialmente os mais pobres, em sua maioria negros e oriundos de áreas periféricas. "Nós vimos como o bolsonarismo atacou as universidades durante a gestão do Jair, como a educação foi desvalorizada e como eles desmerecem as instituições de ensino público. Sentíamos que estávamos prestes a perder nossa faculdade, nosso espaço. A educação pública estava em risco", avaliou Simão. Além disso, os universitários de direito também se opuseram à anistia defendida por apoiadores de Jair Bolsonaro, que atualmente está preso por liderar uma tentativa de golpe de Estado que culminou nos ataques à Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

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