Estudantes Brasileiros Brilham na Olimpíada de Astronomia 2026
Cinco jovens talentos representam o Brasil na 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, que começa em Hanói nesta sexta-feira.
No sofá da sala, Biatriz Silva, uma jovem cearense de 17 anos, observava fascinada o lançamento de foguetes na televisão. Seus olhos brilhavam ainda mais ao perceber a admiração refletida nos olhos de seu pai, Carlos, um vendedor de móveis que sempre teve paixão por filmes como "Interestelar". Foi ao lado dele e de sua mãe, Leidiana, dona de casa, que Biatriz aprendeu a contemplar as estrelas, recebendo deles a valiosa lição de que o estudo poderia expandir seu horizonte no mundo.
Nesta quarta-feira, dia 23 de setembro de 2026, Biatriz embarcará em uma viagem sem a família, em busca de novas constelações. Ela irá até Hanói, no Vietnã, onde será a única menina entre cinco estudantes brasileiros a participar da 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA). Essa competição, uma das mais renomadas do cenário estudantil mundial, começa na próxima sexta-feira, 25 de setembro.
Residente do bairro do Pici, na periferia de Fortaleza, Biatriz está no terceiro ano do ensino médio e já conquistou uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia em 2023. Agora, ela busca repetir esse feito no Vietnã. Durante a competição, enfrentará quatro provas que testam conhecimentos teóricos, análise de dados, uso de telescópios e planetário. Seu retorno ao Brasil está marcado para o dia 6 de outubro.
“Eu tenho um caderno exclusivo onde anotei mais de 380 estrelas e memorizei suas posições”, conta, com um brilho especial nos olhos.
Graças à sua conquista anterior, Biatriz ganhou uma bolsa de estudos em uma escola com foco em preparar alunos para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde sonha em cursar engenharia, talvez até aeroespacial. “Quem sabe um dia”, reflete.
A estudante descreve sua rotina de estudos como normal e disciplinada. Como qualquer adolescente, ela também aprecia momentos de diversão com os amigos, e o estudo não se torna um inimigo nessa jornada.
“Gosto também de desenhar”, acrescenta, revelando sua paixão pelo universo e suas infinitas possibilidades.
Entre as muitas estrelas que a fascinam, Alchiba, da constelação do Corvo, é a sua favorita, localizada a cerca de 49 anos-luz da Terra. “Ela é a estrela alfa e, na verdade, é a mais brilhante da constelação. Fica em uma posição muito boa no céu”, explica.
A trajetória de Biatriz até essa oportunidade não foi fácil; ela concorreu com cerca de 300 estudantes de todo o Brasil. “Foi um percurso árduo, mas a gratificação é enorme”, desabafa.
Além de Biatriz, outros quatro estudantes brasileiros estarão representando o país na competição, todos animados com a possibilidade de compartilhar experiências com jovens de diferentes culturas e idiomas, cada um trazendo seu olhar único sobre a astronomia.
Três dos colegas de Biatriz são de Fortaleza: Jailson Henrique Godeiro Neto, de 17 anos; Arthur Alencar Spuri, de 16; e Isaac Victor de Araújo Santos, também de 16. O quinto estudante é Eyke Cardoso de Souza Torres, de 17 anos, de Ourilândia do Norte, no Pará.
“Essa experiência é algo que vou levar para a vida toda. É realmente gratificante ter essa oportunidade, principalmente considerando todos os desafios que enfrentei para chegar até aqui”, comenta Eyke.
A olimpíada internacional conta com 67 equipes inscritas de várias partes do mundo, o que permitirá aos brasileiros um contato enriquecedor com diferentes perspectivas sobre a astronomia.
No Brasil, os estudantes passaram por um rigoroso processo seletivo promovido pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, uma etapa crucial para conquistar uma vaga na competição.


