Espetinho Carioca: De R$ 200 milhões ao mercado internacional
Após experiências nos EUA, Leandro Souza transforma o espetinho em um negócio de sucesso com mais de 100 unidades no Brasil e planos de expansão na Europa e EUA.

17/10/2026, 10h00
Atualizado há 15 horas
Leandro Souza buscou novas oportunidades nos Estados Unidos, passando por diversas experiências como segurança de boate, manobrista e entregador de pizza, além de ter tentado seguir a carreira na aviação. Ao retornar ao Rio de Janeiro, ao se deparar com um espetinho vendido na rua, teve a ideia que daria vida ao Espetto Carioca.
A proposta de Leandro era inovadora: transformar um alimento geralmente associado às calçadas e saídas de estádios e boates em uma experiência de bar, com mesas, chope gelado e música ao vivo.
O primeiro Espetto Carioca foi inaugurado em 2010. Hoje, essa empreitada é parte do Grupo Impettus, que conta com mais de 100 unidades, abrange diferentes marcas de alimentação e faturou cerca de R$ 200 milhões no ano passado.
Após expandir sua presença pelo Brasil, o grupo agora leva seus espetinhos para a Europa e planeja uma operação para testar o mercado americano.
Leandro cresceu em Anchieta, um bairro do subúrbio carioca, como filho de uma empregada doméstica e de um porteiro. Quando seu pai começou a trabalhar em um edifício no Recreio, Leandro teve a chance de vivenciar um ambiente diferente do que estava acostumado. Durante esse período, ele presenciou uma cena que ficaria gravada em sua memória.
“Vi uma situação que me marcou muito. Meu pai sofreu um tipo de humilhação”, conta Mariana Amaro, apresentadora do podcast Do Zero ao Topo.
“Prometi que ele nunca mais ia passar por isso, que eu ia mudar o nosso destino”, lembra Leandro.
Ele começou a trabalhar muito cedo, aos 13 anos, e teve várias ocupações, como entregador de jornais, office boy e estagiário em uma empresa de comunicação.
Aos 19 anos, decidiu embarcar em uma nova aventura nos Estados Unidos. “Sem conhecer ninguém e sem saber falar 'hot dog'”, recorda-se.
Lá, ele trabalhou como manobrista, entregador de pizza e segurança de boate. Chegou a abrir uma pequena empresa de valet parking e tentou seguir carreira como piloto de avião, até mesmo voando. A crise de 2009, no entanto, interrompeu seus planos na aviação. Ao voltar ao Brasil, o país se preparava para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Leandro tinha dois objetivos claros. “Um era dar uma casa para os meus pais, e fiz isso assim que cheguei”, ele conta. “O outro era abrir um negócio. Mas qual?”
A primeira ideia de Leandro não tinha nada a ver com churrasco. Ele sonhava em abrir um restaurante mexicano, inspirado nos lugares que conheceu em Los Angeles. Atraído não só pela comida, mas pela combinação de ambiente, música e experiência.
Ele até encontrou um sócio interessado, mas o parceiro acabou desistindo. Foi então que Leandro direcionou seu foco para um produto muito mais próximo de sua realidade. “Quando a gente vê o espetinho na rua, dá aquele estalo: por que não levá-lo para um lugar mais aconchegante?”, lembra. Naquele momento, o churrasquinho vendido nas calçadas ainda tinha uma imagem distante dos bares estruturados, sendo comum encontrá-lo nas proximidades do Maracanã, após as boates ou em locais movimentados à noite.
