Espanha: Jovens gastam quase todo salário com aluguel em 2026
A crise habitacional na Espanha afeta a autonomia da juventude, com dados alarmantes sobre gastos com aluguel e emancipação em 2026.
A crise no acesso à habitação continua a dificultar a autonomia da juventude espanhola em 2026. A taxa de emancipação entre jovens de 16 a 29 anos caiu para 14,5%, o número mais baixo desde o início dos registros, segundo o Observatório de Emancipação do Conselho da Juventude de Espanha (CJE). O relatório, divulgado na última sexta-feira, revela que um jovem empregado precisaria destinar 98,7% de seu salário líquido apenas para alugar um lugar para viver sozinho. A situação é tão crítica que a idade média para se emancipar já ultrapassou os 30 anos. O documento destaca que a dificuldade em acessar uma habitação se tornou um dos principais fatores de empobrecimento entre os jovens na Espanha. Para se ter uma ideia, entre aqueles que moram em casas arrendadas, o risco de pobreza salta de 25,9% antes do pagamento do aluguel para 43% após esse gasto. "Para os jovens, emancipar-se é sinônimo de empobrecer", comenta Andrea Henry, presidente do CJE. Analisando os números, o salário médio líquido de um jovem gira em torno de 1.190 euros por mês, enquanto o aluguel médio de um imóvel atinge praticamente 1.176 euros. O CJE alerta que a questão da habitação se transformou em "um dos principais eixos de desigualdade" entre as gerações. O problema não afeta apenas aqueles desempregados ou em situações de exclusão, mas também uma parcela significativa da juventude que já está inserida no mercado de trabalho. "Mesmo com um emprego, muitos jovens não conseguem construir uma vida autônoma sem se ver em situações de precariedade, endividamento excessivo ou dependência da família", enfatiza o relatório. O aumento dos preços das habitações também tem levado muitos a optar pelo arrendamento de quartos ou por moradias compartilhadas, como uma alternativa viável para quem não consegue arcar com os custos de viver sozinho. No entanto, o Conselho da Juventude alerta que dividir uma casa não garante condições financeiras acessíveis em várias cidades, custando cerca de 33,6% do salário médio. Adicionalmente, o apoio econômico familiar está se tornando um fator crucial que determina quem consegue se emancipar e quem não consegue, especialmente em um cenário onde a compra de uma habitação continua fora do alcance da maioria dos jovens. Diante dessa realidade, o Conselho da Juventude de Espanha clama por medidas públicas que ampliem a oferta de habitação acessível e facilitem o acesso dos jovens a moradias dignas. "O problema é estrutural e está gerando consequências severas para toda uma geração", alertam.


