Escudo das Américas: EUA e Cartéis na Luta Contra a China

Escudo das Américas: EUA e Cartéis na Luta Contra a China

Coalizão liderada pelos EUA busca conter influência da China na América Latina através do combate ao narcotráfico e intervenções regionais.

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© White House/Divulgação

A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos e composta por 14 países latino-americanos, recorre à luta contra cartéis de drogas como uma justificativa para intervenções na América Latina. Essa estratégia visa, simultaneamente, conter a crescente influência econômica da China na região. Especialistas em relações internacionais, como o professor Danilo Enrico Martuscelli da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), afirmam que "o Escudo das Américas representa uma tentativa de retomar um processo colonial, onde os EUA buscam reafirmar sua influência sobre os países latino-americanos". Durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, os 15 países da coalizão anunciaram que levarão a proposta do Escudo das Américas para discussão na Organização dos Estados Americanos (OEA). No documento divulgado, 24 grupos narcotraficantes foram classificados como "terroristas", incluindo os brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Martuscelli critica a política externa do segundo mandato de Donald Trump, caracterizada como "agressão imperial aberta", e questiona a eficácia da política de combate ao narcotráfico da Casa Branca, citando o indulto ao ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, condenado por facilitar a entrada de cocaína nos EUA. "Como alguém comprometido com o combate ao narcotráfico pode indultar um narcotraficante?", indaga. O Escudo das Américas, estabelecido em março de 2026, inclui países como Argentina, Bolívia, Colômbia e Peru. O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), observa que o foco do Escudo parece ser a utilização do narcotráfico como justificativa para eua-na-venezuela-e-defende-multilateralismo" class="keyword-link" data-keyword="intervenções">intervenções. Ele destaca que isso envia um sinal à China sobre a necessidade de reavaliação de suas relações com os países da região. A coalizão, segundo Valdez, visa legitimar a presença de tropas americanas sob o pretexto de combater o crime organizado. O governo brasileiro, não convidado para a iniciativa, adota uma postura cautelosa e continua a fortalecer a cooperação internacional no combate ao crime organizado com outros países da América Latina, temendo que a iniciativa possa ser usada por Washington para alinhar interesses na região.

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