Empoderamento Feminino e Indicações Geográficas no Paraná
Mulheres paranaenses lideram a transformação cultural e econômica por meio das Indicações Geográficas, elevando a identidade regional.
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As mulheres estão desempenhando um papel fundamental na transformação de tradições em reconhecimento, história em oportunidades e produtos regionais em verdadeiros símbolos da identidade paranaense. No Paraná, elas têm se destacado significativamente no avanço das Indicações Geográficas (IG), um movimento que não apenas fortalece os territórios, mas também preserva as culturas locais e eleva o valor dos produtos típicos do Estado.
Seja com a cachaça de Morretes, a carne de onça de Curitiba, o barreado do Litoral, a bala de banana de Antonina, a goiaba de Carlópolis, o melado de Capanema, o queijo colonial do Sudoeste, a erva-mate São Matheus ou o couro de peixe de Pontal do Paraná, o protagonismo feminino está intrinsecamente ligado ao crescimento das Indicações Geográficas paranaenses. O Paraná, que se destaca como líder nacional em IGs, também brilha pelo papel ativo das mulheres nesse cenário.
É importante notar que muitas das 26 IGs conquistadas no Estado foram impulsionadas pelo trabalho, coordenação, incentivo ou atuação direta de mulheres que são produtoras e empreendedoras. Maria Isabel Guimarães, consultora do Sebrae/PR, observa que o aumento da participação feminina em áreas tradicionalmente dominadas por homens está alinhado a um movimento crescente de profissionalização, qualificação e liderança no agronegócio e nas cadeias produtivas relacionadas às Indicações Geográficas. “As mulheres estão cada vez mais assumindo papéis estratégicos. Elas estão envolvidas em todas as etapas, desde a produção até a gestão, promovendo a articulação entre os produtores e o fortalecimento da identidade dos territórios e produtos. Isso não só valoriza as IGs, mas também contribui para o desenvolvimento regional”, ressalta.
Além disso, a consultora enfatiza que a presença feminina nas IGs tem ampliado a participação das mulheres em espaços de decisão, como associações, cooperativas e entidades representativas do setor. Um exemplo claro desse avanço é o processo de obtenção do registro da cachaça de Morretes, que ilustra como as mulheres estão conquistando espaço no agronegócio. Andressa Voi Possas, presidente da Associação dos Produtores de Cachaça de Morretes (Apocam), compartilha sua trajetória e destaca a importância do reconhecimento da IG para o futuro do produto. Para ela, a conquista da IG é um marco que deve ser celebrado com outros produtores, promovendo a reestruturação dos alambiques.
Ademais, a busca pela IG da carne de onça, um prato típico de Curitiba, também evidencia a participação feminina na valorização da cultura local. Debora Alves Moreira tem se dedicado a promover esse prato em festivais e eventos, mostrando que a contribuição das mulheres é crucial para a preservação e a celebração das tradições paranaenses.
