Eleições Impactam Juros do Tesouro e Cenário Econômico Atual
A queda nas taxas do Tesouro Direto reflete a influência das eleições e a pressão do mercado global, com Flávio Bolsonaro e Augusto Cury liderando nas intenções de voto.
08/09/2026 - 10h48
• Atualizado há 5 minutos
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As taxas do Tesouro Direto retornaram do feriado com uma queda significativa, mesmo com os juros futuros registrando um recuo geral nesta terça-feira (8). Essa mudança ocorre em um contexto onde os Treasuries, no exterior, estão apresentando rendimentos em alta. O petróleo, que se aproxima da marca de US$ 100, exerce uma das principais pressões no mercado global; enquanto isso, o foco no cenário local permanece voltado para o ambiente eleitoral.
Uma pesquisa realizada pelo BTG/Nexus e divulgada hoje mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o escritor Augusto Cury (Avante) estão à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto para o segundo turno, embora a disputa ainda esteja em um empate técnico.
Como resultado, o título Prefixado 2032 teve uma queda de seis pontos-base, passando para 14,17%. O título de 2029 cedeu três pontos, enquanto o papel com Juros Semestrais 2037 apresentou uma diminuição de cinco pontos.
Nos títulos atrelados à inflação, o destaque foi o IPCA+ 2032, que viu seu juro real cair cinco pontos, atingindo 7,80%, o menor nível desde maio. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 também apresentou uma leve queda, de 7,54% para 7,51%. Por outro lado, o IPCA+ 2040 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 mantiveram-se estáveis, enquanto o título mais longo, de 2050, registrou uma leve alta.
Além disso, a expectativa de um alívio na inflação, especialmente após a deflação na prévia do IPCA e o PIB mais fraco apresentado na semana passada, também influencia esses movimentos. A divulgação da inflação de agosto está agendada para a próxima sexta-feira, com a expectativa de que os números confirmem essa tendência de alívio nos preços.
Diego Barnuevo, analista de mercados da Ebury, aponta que “[a moderação nos preços] deverá fornecer ao Banco Central do Brasil mais argumentos para implementar um novo corte de 25 pontos-base na taxa de juros ainda neste mês.”
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Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h23 desta terça-feira (8):
Atualizado há menos de 1 hora
Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, destaca que persiste a preocupação do Copom com a desancoragem das expectativas de inflação, e que o balanço de riscos manteve assimetria para cima. Ele avalia que a continuidade da desaceleração da atividade e uma inflação mais favorável ainda permitem um corte na próxima reunião, embora ela ocorra logo após o segundo turno eleitoral, o que aumenta a incerteza.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, interpreta que a mensagem mais provável é que o ciclo de cortes chegou ao fim, ou está muito perto disso, devido à projeção de inflação do BC, ao cenário externo e por causa do cenário eleitoral. Trevisan pondera que a Selic segue alta, e recomenda cautela na renda fixa, com prazos curtos e disciplina no crédito privado, e reforça a importância de manter parcela do patrimônio fora do país.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde julho de 2023, e o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a estabilidade de preços é a base do crescimento econômico e que a decisão representa “um passo importante” nessa direção, chegando a dizer que ela beneficia especialmente os americanos “menos favorecidos”, já que a inflação mais baixa preserva o poder de compra dos salários.