Eleições: Estrangeiros Vendem Ações enquanto Investidores Compram

Após a histórica queda da Bolsa, investidores individuais mostram resiliência e aproveitam a oportunidade para comprar ações.

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Eleições: Estrangeiros Vendem Ações enquanto Investidores Compram
Reprodução Redes Sociais

30 de outubro de 2026, 10h59

• Atualizado há apenas 3 segundos

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A sessão de segunda-feira, dia 26, ficou marcada na história da Bolsa como uma das maiores quedas que vimos nos últimos anos.

O índice despencou 13,36% e, em determinados momentos do pregão, chegou a perder impressionantes 17%. Para piorar, a abertura já foi acompanhada de um circuito breaker, que é a suspensão temporária das negociações quando a queda ultrapassa 10%.

Além disso, a saída de capital estrangeiro foi bastante significativa. No total, investidores do exterior retiraram cerca de R$ 2,85 bilhões em um único dia.

Essa movimentação não chegou a ser uma grande surpresa, considerando que o fluxo de saída já era perceptível desde a semana anterior. Vale lembrar que essa retirada não compensou as entradas robustas que tivemos, especialmente após o primeiro turno das eleições, quando o fluxo aumentou em R$ 10 bilhões.

Entre os dados divulgados pela B3 sobre as transações de investidores, um número se destacou ainda mais que a saída de estrangeiros: a atuação dos investidores individuais durante esse período de forte queda.

Os dados revelam que, em outubro, os investidores individuais estavam intensificando suas vendas, com um fluxo negativo de R$ 2,5 bilhões até o dia 23, que foi o último pregão antes do segundo turno.

Contudo, no dia 26, a situação virou a seu favor e esses investidores foram os únicos a registrar uma entrada superior à saída, especialmente quando comparados a investidores institucionais, estrangeiros e instituições financeiras. O saldo ficou positivo em R$ 3,6 bilhões.

Por outro lado, essa entrada não foi suficiente para alterar significativamente a participação dos investidores individuais na Bolsa.

Em 23 de outubro, eles representavam 9,68% do mercado e, após essa movimentação, passaram a corresponder a 9,70% do capital da B3. Este percentual, por sinal, é o menor do ano, dado que o fluxo dos individuais permaneceu negativo por vários meses de 2026.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, comenta que essa movimentação não altera a trajetória dos investidores individuais em relação ao índice. Na verdade, ele acredita que esse evento pode ter sinalizado uma oportunidade de compra para alguns, mas não necessariamente indica uma mudança no perfil do investidor.

“É possível que o investidor individual tenha percebido um exagero nas vendas de segunda-feira. O próprio investidor institucional também viu algumas quedas e aproveitou para adquirir ações de empresas que consideram boas oportunidades”, explica.

Entretanto, Gustavo também alerta: com a trajetória da dívida provavelmente continuando em alta nos próximos quatro anos, os juros devem permanecer elevados. Isso pode resultar na manutenção de muitos investidores focados na renda fixa.

Camille é jornalista do InfoMoney e se dedica a cobrir os mercados e o Ibovespa Ao Vivo, abordando tanto ações brasileiras quanto internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e tem formação em Direito.

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