Eleições 2026: Flávio Bolsonaro e o Desafio do Endividamento
Marqueteiro de Flávio Bolsonaro destaca a competitividade da eleição e a importância do endividamento familiar como tema central da campanha.
O marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Duda Lima, antecipa que a disputa eleitoral será bastante acirrada, com temas centrais como o endividamento das famílias e a situação fiscal do governo. Ele reconhece que seu candidato enfrenta um desafio maior na construção de uma conexão emocional com os eleitores, especialmente em comparação com Luiz Inácio Lula da Silva. Lima ressalta que o presidente precisa lidar com a frustração de uma parte significativa da população.
"Estamos diante de uma eleição superapertada", destacou ele durante um encontro realizado na noite de ontem, promovido pelo grupo Companhia de Negócios em São Paulo. Em uma conversa com um seleto grupo de empresários e executivos, Lima — que assumiu a marquetagem há apenas duas semanas, após a segunda troca de estrategista de comunicação da campanha — reforçou a mensagem de Flávio, que critica a "esperança" prometida por Lula, a qual, segundo ele, não se concretizou.
"Percebo, ao rodar por este país, que ainda temos dificuldades em compreender o que os brasileiros realmente desejam. Contudo, sabemos muito bem o que eles não querem. E, na minha visão, a eleição está se desenhando assim: se um dos lados, representado por Flávio, conseguir explicar claramente a situação atual do país, isso poderá dificultar a narrativa do outro lado, que vai tentar vender novamente a ideia de esperança", analisou.
Lima, que havia se afastado de campanhas eleitorais após ter trabalhado em 2024 na reeleição de Ricardo Nunes como prefeito de São Paulo, explicou que uma das razões que o motivaram a aceitar o desafio de Flávio foi a gravidade do endividamento no país. "Se 85 milhões de brasileiros estão enfrentando dívidas, isso não é apenas um problema de gestão de algumas famílias, mas sim uma questão que afeta o país como um todo."
Em meio a críticas sobre a alta dos juros, Lima relacionou o crescimento da dívida pública ao endividamento das famílias, observando que os gráficos de ambos os casos apresentam trajetórias similares. Ele defendeu a necessidade de um ajuste fiscal como forma de recuperar o poder de compra da população, afirmando que o plano de governo do PL tem uma área de macroeconomia "muito bem estruturada", que delineia fontes de recursos e estratégias para corte de despesas. "O que não pode ocorrer é gastar mais do que se ganha."
Quando questionado no palco por Marcio Moraes, fundador do Companhia de Negócios, sobre as dificuldades de Flávio em conquistar o eleitorado feminino, Lima atribuiu essa questão à "estrutura militar" que permeia a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, destacando iniciativas como as motociatas e um "jeito duro de falar", que podem afastar as mulheres. "Esse é um grande desafio de comunicação para a campanha, que se relaciona mais à forma do que ao conteúdo em si", afirmou.
Na visão de Lima, Flávio precisa aprimorar sua conexão emocional com os eleitores, enquanto Lula tem o desafio de superar a desilusão de alguns eleitores com os resultados do atual governo.
"Um candidato como Lula tem uma habilidade notável de tocar as pessoas através da sua trajetória e experiência. Ele consegue se conectar emocionalmente. Por outro lado, a outra candidatura enfrenta dificuldades para estabelecer esse mesmo tipo de ligação, trazendo uma abordagem mais racional", concluiu, refletindo sobre a dinâmica da campanha.