Economia brasileira tem queda de 0,4% entre junho e julho
Monitor do PIB da FGV revela retração econômica e desafios para o futuro em setembro de 2026.
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A economia brasileira enfrentou uma queda de 0,4% entre junho e julho de 2026, conforme aponta a estimativa do Monitor do PIB, um estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026.
Queda Contínua e Setores Atingidos
Esse resultado representa o segundo mês consecutivo de retração. Em junho, a queda já havia sido mais acentuada, atingindo 1%. O Monitor do PIB avalia o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), refletindo a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A pesquisa compila dados de setores como indústria, comércio, serviços e agropecuária.
Quando analisamos julho de 2026 em comparação com o mesmo mês de 2025, há um crescimento de 1,3%. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação é de 1,8%, embora em junho esse número estivesse em 2,2%.
Análise do Cenário Econômico
Juliana Trece, economista e coordenadora da pesquisa, ressalta que esse desempenho reflete o “enfraquecimento das três grandes atividades econômicas”, destacando a retração da agropecuária e a estagnação nos setores de indústria e serviços. Além disso, ela classifica o cenário internacional como “desafiador”, citando o aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre algumas exportações brasileiras e o impacto da alta do preço do petróleo devido à guerra no Oriente Médio.
No que diz respeito à economia doméstica, Trece menciona desafios como as altas taxas de juros e o endividamento das famílias. Conforme o estudo, o consumo das famílias, que compõe mais de 60% do PIB, cresceu 0,4% no trimestre que terminou em julho. Essa taxa é a mais baixa desde o trimestre encerrado em outubro de 2025, que registrou 0,2%.
Investimentos e Perspectivas Futuras
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento na economia — incluindo a compra de máquinas e equipamentos —, cresceu 1,4% no trimestre até julho, marcando a quarta expansão consecutiva. Em termos correntes, o PIB acumulado até julho é estimado em R$ 7,853 trilhões.
O Monitor do PIB é um dos principais indicadores da economia brasileira. Outro estudo relevante é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na quarta-feira, 16 de setembro, que apontou uma queda de 0,2% em julho em comparação a junho. O Banco Central projeta uma expansão de 1,5% em 12 meses.
Os resultados oficiais do PIB são divulgados trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No último dia 1º, o instituto informou que o PIB do segundo trimestre teve um crescimento de 0,5% em relação ao primeiro trimestre, com uma alta de 1,9% em 12 meses. O resultado referente ao terceiro trimestre será anunciado apenas no dia 2 de dezembro. Por fim, o relatório Focus, publicado na última segunda-feira, 14 de setembro, apresenta a sondagem do Banco Central com instituições do mercado financeiro, prevendo que a economia brasileira encerrará 2026 com um crescimento de 1,89%.