Ebola: OMS afirma que risco global de surto é baixo
Tedros Adhanom destaca que a propagação do ebola é controlada, mas alerta para riscos na RDC e Uganda.
© Tomaz Silva/Agência Brasil
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez uma declaração nesta segunda-feira, dia 27, sobre o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). Segundo ele, o risco de o vírus se espalhar para o restante do mundo é considerado baixo. Vale lembrar que a RDC enfrenta um surto dessa doença há alguns meses, com mais de 3 mil casos confirmados desde maio, quando a situação foi oficialmente declarada. Infelizmente, aproximadamente 1,4 mil pessoas perderam a vida devido a essa condição. Embora a maioria das vítimas tenha sido registrada na RDC, a doença também alcançou a vizinha Uganda.
“O risco para o resto do mundo ainda é baixo. O ponto aqui é que, como o ebola se propaga por contato intenso e não pelo ar, como acontece com a covid, não esperamos que isso se transforme em uma pandemia, devido à própria natureza do vírus”, explicou Ghebreyesus durante uma visita ao Rio de Janeiro. Ele destacou que, desde a descoberta do ebola, há 50 anos, houve apenas 30 casos fora das áreas afetadas na África.
No entanto, ele foi enfático em ressaltar que o risco é elevado para os países da região, especialmente com a propagação da doença para Uganda. “Estamos trabalhando para conter o surto na RDC, mas a situação ainda é preocupante. O governo congolês está se esforçando, e os parceiros estão colaborando, mas precisamos fazer ainda mais”, afirmou. Sobre Uganda, ele comentou que o país está lidando com a situação e, até o momento, consegue manter a doença sob controle.
Entretanto, a resposta ao surto tem sido complicada devido aos conflitos armados na região leste da RDC. “Isso torna a luta contra o ebola muito difícil. Além disso, a guerra provoca deslocamentos, e milhões de pessoas estão vivendo em acampamentos”, observou.
Nesta mesma segunda-feira, Tedros foi homenageado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde recebeu o título de doutor honoris causa. Ele elogiou a instituição: “A Fiocruz é um líder em equidade sanitária e na cooperação Sul-Sul. Além disso, é um farol de esperança não apenas para a América Latina em termos de pesquisa e excelência científicas, mas para o mundo todo”.
Tedros Adhanom Ghebreyesus assumiu o cargo de diretor-geral da OMS em maio de 2017, tornando-se o primeiro africano a liderar a principal autoridade de saúde global. Durante sua gestão, coordenou esforços internacionais para enfrentar a pandemia de covid-19. Nascido na Eritreia, ele se formou em biologia pela Universidade de Asmara, possui mestrado em imunologia e doenças infecciosas pela Universidade de Londres e um PhD em saúde comunitária pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido. Antes de sua atuação na OMS, foi ministro da Saúde da Etiópia entre 2005 e 2012, contribuindo para a criação de um sistema de saúde com cobertura universal, e, entre 2012 e 2016, ocupou o Ministério das Relações Exteriores da Etiópia.