Dólar sobe 0,74% e se aproxima de R$ 5,50 em meio a incertezas

Dólar sobe 0,74% e se aproxima de R$ 5,50 em meio a incertezas

Mercado financeiro reage a incertezas fiscais e expectativa sobre a taxa Selic, com o dólar comercial alcançando R$ 5,486.

•3 min de leitura•Fonte original

© Valter Campanato/Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro encerrou a terça-feira, dia 3, em uma trajetória de queda. O dólar, por sua vez, registrou uma alta e a bolsa de valores ampliou suas perdas, tudo isso após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No fechamento, a moeda norte-americana subiu cerca de 1%, aproximando-se da marca de R$ 5,50. O Ibovespa teve seu sexto dia consecutivo de recuo, atingindo o menor nível desde janeiro. Isso nos leva a refletir sobre as preocupações que pairam sobre o cenário econômico.

Os investidores estavam cautelosos devido às incertezas em torno da política fiscal do novo governo e às expectativas sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) a respeito da taxa Selic, que será anunciada amanhã, dia 4. A tensão no ar é palpável.

Ao falarmos de números, o dólar comercial terminou a sessão de terça com valorização de 0,74%, cotado a R$ 5,486. Durante o pregão, a moeda chegou até a ultrapassar R$ 5,50, refletindo a ansiedade dos investidores em relação aos rumos da economia brasileira.

Este foi o primeiro pregão de novembro, logo após o feriado de Finados, e veio na sequência de uma semana de forte desvalorização dos ativos nacionais. Desde a reeleição de Lula, em 25 de outubro, o mercado cambial tem sentido a pressão sobre o real.

Diversos fatores influenciaram as negociações. Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que as propostas de Lara Resende apresentam problemas e não estão sendo discutidas no governo. Ele também enfatizou a importância de um ajuste fiscal gradual, o que, de certa forma, reflete a cautela do governo em relação à sua própria política econômica.

No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em comparação a uma cesta de seis moedas fortes, registrou uma leve alta de 0,13%, alcançando 101,850 pontos às 17h35.

O Ibovespa, por sua vez, fechou a terça-feira com uma queda de 1,42%, marcando 165.528,92 pontos, de acordo com dados preliminares. Durante a sessão, o índice chegou a perder a faixa dos 165 mil pontos, atingindo uma mínima de 164.446,53 pontos às 11h23.

Essa baixa representa o sexto dia consecutivo de perdas desde a reeleição de Lula, se considerarmos as sessões realizadas após o resultado eleitoral. No pregão anterior à votação, o índice estava acima de 205 mil pontos, o que torna a situação ainda mais preocupante.

As ações da Petrobras e da Vale, que são as mais negociadas, exerceram pressão sobre o indicador, em um dia marcado por ajustes nos preços internacionais do petróleo e de outras commodities, especialmente após o feriado.

Além disso, o cenário externo também teve seu impacto. Enquanto as ações de empresas de tecnologia nos Estados Unidos mostravam sinais de recuperação, o mercado brasileiro permaneceu sob pressão, muito devido às incertezas domésticas.

A reunião do Comitê de Política Monetária está no centro das atenções dos investidores. A taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, está sendo monitorada com atenção, especialmente diante da deterioração das expectativas inflacionárias e da desvalorização do real.

O boletim Focus, divulgado nesta terça-feira, elevou a projeção de inflação para 2027 de 4,34% para 4,76%, superando o teto da meta de 4,5%. Além disso, a estimativa para a Selic ao final do próximo ano também foi ajustada para cima, passando de 11,75% para 12,50%.

A decisão do Banco Central e o comunicado que seguirá sobre os próximos passos da política monetária, sem dúvida, serão fundamentais para o direcionamento do mercado nos próximos dias.

Atualizado há 9 horas

Na quarta-feira, dia 4, o dólar reverteu a tendência de alta e fechou em queda, refletindo o enfraquecimento da moeda estadunidense no exterior após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Essa mudança no cenário internacional reduziu a percepção de risco de mudanças bruscas na política econômica estadunidense, favorecendo moedas de países emergentes, incluindo o real.

O Ibovespa, por sua vez, conseguiu interromper a sequência de seis quedas consecutivas, avançando mais de 1% e recuperando os 167 mil pontos. Esse movimento foi impulsionado pelo ambiente mais favorável aos ativos de risco no exterior, especialmente após a vitória dos democratas, que trouxe um alívio para os investidores.

Apesar disso, os ganhos do real no mercado doméstico foram limitados pela cautela em relação às incertezas fiscais e à expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, que foi mantida em 13,75% ao ano.

Compartilhar: