Dólar cai para R$ 5,07: menor valor em um mês; bolsa estável
Em 21 de julho de 2026, o dólar recua, refletindo a alta do petróleo e juros elevados, enquanto a bolsa enfrenta leve queda consecutiva.
O dólar apresentou uma nova queda nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, alcançando seu menor nível desde 15 de junho. Esse movimento é reflexo dos juros elevados no Brasil e da alta global do petróleo. Enquanto isso, a bolsa de valores ficou praticamente estável, mas registrou a quinta queda consecutiva. O preço do petróleo, por sua vez, subiu pela terceira sessão seguida, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio. Esse aumento beneficia as moedas de países que exportam petróleo, como é o caso do Brasil, mantendo o real em evidência entre as moedas emergentes.
O dólar comercial recuou 0,31%, fechando a R$ 5,073, o que representa o menor valor de fechamento em pouco mais de um mês. Esse movimento ocorreu mesmo com a valorização da moeda americana em relação a outras divisas ao redor do mundo. O que sustentou essa tendência foi, principalmente, a alta do petróleo, que melhora as condições de troca para o Brasil, que é um exportador líquido do produto. Além disso, os juros altos no mercado interno continuam atraindo operações de carry trade – uma estratégia onde investidores transferem capitais de economias avançadas para o Brasil para capitalizar sobre a diferença nas taxas de juros.
No dia, o real teve um desempenho notável, ficando em segundo lugar entre as moedas emergentes, atrás apenas do peso colombiano. Ao analisar o acumulado do ano, a moeda americana já apresenta uma queda de 7,57% em relação ao real. Apesar das incertezas relacionadas à guerra entre Estados Unidos e Irã e do anúncio de novas tarifas sobre produtos canadenses, o mercado de câmbio demonstrou uma volatilidade relativamente controlada durante a sessão.
O Ibovespa terminou o dia praticamente estável, com uma leve queda de 0,03%, marcando 173.325,65 pontos, após ter oscilado entre perdas e ganhos ao longo de todo o pregão. A liquidez foi baixa, com um giro financeiro de R$ 17,9 bilhões, bem abaixo da média diária deste ano. As ações da Petrobras, que são as mais negociadas, acompanharam a valorização do petróleo e ajudaram a conter as perdas do índice. As ações ordinárias subiram 1,43%, enquanto as preferenciais valorizaram-se 1,24%.
Notavelmente, o desempenho da bolsa brasileira se destacou em contraste com os mercados externos. Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em alta, impulsionados principalmente pelo setor de tecnologia. Enquanto isso, o mercado doméstico permaneceu sob pressão, influenciado pelas incertezas geopolíticas e pelo baixo volume de negócios.
No cenário internacional, os contratos de petróleo fecharam em forte alta, refletindo os riscos persistentes à oferta global provocados pelo conflito no Oriente Médio. O Brent, que é a referência para a Petrobras, avançou 2%, alcançando US$ 91,01 o barril. O WTI, do Texas, subiu 2,25%, encerrando a US$ 84,34. Esses preços foram pressionados pelas ameaças do grupo rebelde Houthi à navegação no Estreito de Bab-el-Mandeb, uma rota estratégica para o transporte de petróleo. Com o Estreito de Ormuz, que se localiza na saída do Golfo Pérsico, bloqueado, o mercado também está atento a novas ofensivas militares entre Estados Unidos e Irã, aumentando as preocupações sobre possíveis interrupções no fluxo de petróleo.