Dois antivírus no PC? Especialista da Microsoft alerta riscos
Entenda por que usar dois programas de segurança pode causar conflitos no Windows e como evitar problemas no seu sistema.
Arte editorial automática
O engenheiro da Microsoft, Raymond Chen, compartilhou uma situação intrigante em que dois programas antimalware entraram em conflito dentro do Windows. Esse tipo de conflito acontece quando um dos softwares tenta bloquear funções do outro, considerando-as suspeitas, o que acaba gerando um verdadeiro "caos" no sistema operacional.
Para evitar essa confusão, a recomendação é clara: use apenas um programa de segurança por vez. O Microsoft Defender, por exemplo, se desativa automaticamente quando um novo antivírus é instalado.
Agora, você pode estar se perguntando: se um antivírus é bom, ter dois não seria ainda melhor? A resposta não é tão simples. Raymond Chen, um veterano engenheiro de software da Microsoft, traz uma explicação interessante sobre isso. Ele tem o hábito de dividir histórias dos bastidores da empresa, e esta não é diferente.
Embora muitas pessoas não sintam a necessidade de instalar múltiplas soluções de segurança, o comportamento mais comum é optar por apenas uma. Quando surge a necessidade de um novo software, o ideal é remover o anterior.
Entretanto, sempre há exceções. Chen conta sobre um colega do suporte corporativo da Microsoft que enfrentou um caso peculiar envolvendo um cliente. O computador desse cliente estava apresentando uma falha complexa. Após uma investigação minuciosa, o colega de Chen descobriu que o problema era causado por dois softwares antimalware — presumivelmente, dois antivírus — de fornecedores diferentes.
Para evitar mencionar os nomes comerciais, Chen se refere a esses programas como Fabrikam e Contoso, nomes fictícios, é claro. Segundo o engenheiro, o Fabrikam acionou uma função que o Contoso já havia interceptado. O Contoso, ao considerar esse comportamento suspeito, tentou colocar o processo do Fabrikam em quarentena. E assim se estabeleceu um verdadeiro "toma lá, dá cá", que acabou gerando problemas no Windows.
Vamos lá, pode parecer complicado (e, para alguns, pode ser mesmo). Mas, resumindo, o Fabrikam já havia bloqueado uma função que o Contoso utilizava. Então, ao tentar isolar o processo do Fabrikam, o Contoso acionou a função que ele mesmo havia modificado. O resultado? Caos total.
Em teoria, as empresas que desenvolvem soluções de segurança precisariam colaborar para criar um mecanismo que permitisse reconhecimento mútuo, ou então contar com a ajuda da Microsoft para facilitar esse trabalho. No entanto, nenhuma delas está disposta a permitir que sua solução funcione em conjunto com a de um concorrente, a menos que os softwares tenham finalidades bem diferentes.
Chen também destaca as dificuldades técnicas que surgem nesse cenário. Muitas vezes, as soluções de segurança realizam ações que não são oficialmente suportadas pelo Windows, como interceptar funções do sistema de maneiras não convencionais. Portanto, um antivírus pode considerar qualquer atividade desse tipo como suspeita, mesmo que ela venha de outro software de segurança, já que um não tem como saber que o outro também é um antimalware.
Em suma, Chen resumiu bem a questão: instalar dois programas de segurança no mesmo computador pode ser uma armadilha. É um cenário que, na prática, pode acabar gerando mais problemas do que soluções.
